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26 de janeiro, 2005 - 00h11 GMT (22h11 Brasília)

Tim Weber

Davos reúne quem está no topo das decisões em governos e empresas

Cerca de 2 mil pessoas que fazem o mundo girar já estão estão a caminho da elegante estação climática de Davos, na Suíça, para uma semana de muitas discussões, bate-papo e socialização.

Quer saber como a China vai mudar o destino do planeta? Tem dúvidas se o iPod vai mesmo revolucionar a indústria fonográfica? Será que a globalização econômica pode ser mais "justa"?

Em Davos, o que se debate são essas e outras intrigantes questões. Porque durante cinco dias de janeiro, o centro de convenções da cidade e os luxuosos hotéis que o cercam se transformam em um enorme think tank (centro de estudos e discussões).

A partir desta quarta-feira, a cidade vai receber o que deve ser a maior densidade de políticos de alto escalão e homens de negócios do mundo.

Famosos

Mas espere um carregamento de déja vus.

Quase todas as pessoas que flanam pelos corredores vão parecer familiares. Talvez porque elas realmente sejam: você as conhece da televisão, dos jornais ou da internet.

Entre os políticos, nomes como o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o chanceler alemão, Gerhard Schröder, e o presidente francês, Jacques Chirac – que confirmou sua participação no último minuto – vão disputar a atenção.

Mais de 20 chefes de Estado vão a Davos neste ano, acompanhados de dezenas de ministros. Os países em desenvolvimento estarão fortemente representados: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu colega sul-africano Thabo Mbeki e o líder nigeriano Olusegun Obasanjo já confirmaram presença.

Onde houver uma discussão sobre como acabar com a pobreza, o cantor Bono, do U2, vai estar por perto. Ao lado dele, espere artistas como Peter Gabriel, Angelina Jolie e Richard Gere.

Empreendedores sociais – encarregados de negócios sem fim lucrativos, mas sim por uma boa causa – também estão aqui, representando organizações como a Anistia Internacional, o WWF e a Iniciativa Internacional para a Vacinação contra a Aids.

E, claro, há também os caciques. Bill Gates e Michael Dell batem ponto, assim como homens e mulheres por trás de empresas como Nestlé, Hewlett Packard, Deutsche Bank, Shell, BP, Volkswagen, Vodafone, Caterpillar e Pfizer.

Gerentes do mundo?

Mas o que leva toda essa gente neste ano a Davos, onde os metereologistas prevêem temperaturas de até - 24ºC?

Estariam eles aqui para governar o mundo e decidir sobre questões de guerra e paz, ou ainda para descobrir como explorar melhor os países em desenvolvimento, como imaginam os adeptos de teorias de conspiração?

A verdade é – ai de mim! – mais banal.

Sim, às vezes se fecham acordos surpreendentes. Em 1994, palestinos e israelenses bateram o martelo em um plano de paz.

Neste ano, o novo líder palestino, Mahmoud Abbas, deve se encontrar com pelo menos um dos dois vice-premiês israelenses, que vêm a Davos.

Bate-papo

A maior parte do tempo, no entanto, o encontro anual do Fórum Econômico Mundial – que está na sua 34ª edição – é uma grande sala de bate-papo. Muito boa, aliás.

Onde mais você vai encontrar "a" autoridade em praticamente todos os assuntos discutidos no Fórum?

No evento do ano passado, por exemplo, um senhor levantou a mão para dar a sua opinião numa discussão sobre por quanto tempo a China continuaria a financiar o déficit fiscal americano. Tratava-se simplesmente do assessor econômico do presidente chinês.

E tem a socialização. Lembre-se que o acesso a Davos é permitido apenas a quem está no topo de governos e empresas (e mais alguns jornalistas).

Não há secretárias ou assessores.

Muitos profissionais de relações públicas teriam ataques do coração se soubessem quão franca e abertamente seus chefes discutem os assuntos do momento.

Há um enorme zum-zum-zum nos corredores de Davos. E muitas, muitas festas.

Alguns chamam isso de "espírito de Davos".

Ou, como um conhecido executivo definiu: "Davos é uma oportunidade para se recarregar as baterias, pensar sobre grandes questões e encontrar muita gente interessante".