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24 de janeiro, 2005 - 18h18 GMT (16h18 Brasília)

Diego Toledo
de São Paulo

Governo e Odebrecht adotam postura comum para tratar de seqüestro

A construtora Norberto Odebrecht e o governo brasileiro afirmaram em comunicados divulgados nesta segunda-feira que estão trabalhando em conjunto na tentativa de solucionar o seqüestro do engenheiro João José Vasconcelos Júnior no Iraque.

O tom dos novos pronunciamentos contrasta com a postura que a empresa e o Ministério das Relações Exteriores adotavam até a última sexta-feira, dois dias depois do desaparecimento do funcionário da Odebrecht.

Até então, o Itamaraty dizia respeitar a posição da construtora, que havia pedido para tratar do assunto sem interferências do governo. No comunicado desta segunda-feira, no entanto, a Odebrecht diz que mantém contato permanente com o ministério.

“A empresa e o Ministério das Relações Exteriores têm trabalhado em estreita coordenação e alinhamento, sem medir esforços na busca de solução favorável para o caso”, afirma o texto assinado pela diretoria da construtora.

A nova nota oficial da Odebrecht, a quinta desde o seqüestro do engenheiro da empresa na última quarta-feira, diz ainda que, até agora, “não houve qualquer contato por parte dos seqüestradores”.

‘Sem dissonância’

Em Brasília, o Itamaraty reforçou as declarações da construtora. O governo diz ter intensificado os contatos com as embaixadas e representações do Brasil na região e acrescenta que um “trabalho conjunto” está sendo realizado de forma “paralela e sigilosa”.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, “não há dissonância entre o trabalho do governo brasileiro e os esforços da construtora na condução das investigações e possíveis negociações”.

“O governo brasileiro se associa aos apelos humanitários feitos pela empresa e pela família do senhor Vasconcelos, no sentido de que este lamentável episódio se encerre o mais rapidamente possível”, diz comunicado do Itamaraty.

Na última sexta-feira, a postura do governo brasileiro nos esforços para resolver o seqüestro recebeu críticas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Em nota à imprensa, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade, Edísio Simões Souto, afirmava não concordar com os termos em que estavam sendo conduzidas as negociações, a cargo apenas da construtora.

“Trata-se de um brasileiro e, portanto, deve ser questão de Estado resolver esse caso, em que é preciso o concurso da diplomacia brasileira", disse o dirigente da OAB.

O Itamaraty rebateu as críticas da entidade e disse que não aceitava as insinuações de omissão.

Novas medidas

No fim de semana, depois da exibição de um vídeo na emissora de televisão árabe Al-Jazeera em que o grupo militante Saraya Al-Mujahedin assumia o seqüestro, o Ministério das Relações Exteriores adotou novas medidas.

O governo acionou todas as embaixadas do Brasil na região do Iraque e passou a emitir uma série de comunicados sobre a atuação do Ministério das Relações Exteriores na tentativa de ajudar a solucionar o seqüestro.

No domingo, em entrevista à BBC Brasil, a irmã do engenheiro seqüestrado no Iraque, Isabel Vasconcelos, disse que a família do funcionário da Odebrecht espera contar com o apoio do Itamaraty para solucionar o caso.

“Nós achamos que não só o povo brasileiro como o governo brasileiro têm que saber que ele é um cidadão nosso”, disse a irmã de João José Vasconcelos Júnior.