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20 de janeiro, 2005 - 12h19 GMT (10h19 Brasília)

Eric Brücher Camara

Nacionalidade não deve ajudar brasileiro, diz diplomata

O diplomata Paulo Joppert Crissiuma, responsável pelo núcleo Iraque criado pelo Itamaraty na embaixada do Brasil na Jordânia, disse à BBC Brasil que o fato de o funcionário da construtora Norberto Odebrecht, desaparecido no Iraque, ser brasileiro não deve contar a favor de sua libertação.

"O cidadão brasileiro é bem quisto no Iraque, mas não existe nenhuma nacionalidade que esteja hoje isenta de ataques. Basta lembrar da iraquiana de nacionalidade britânica que dedicou 20 anos a obras de caridade no país e foi degolada", afirmou Joppert.

O diplomata disse ainda que o possível seqüestro do funcionário brasileiro não deve ter maiores conseqüências nos planos de reabertura de uma representação no Iraque.

"A intenção do Itamaraty é de gradualmente retomar o contato com as autoridades iraquianas. O primeiro passo foi a criação do núcleo Iraque na embaixada na Jordânia. Infelizmente, por razões de segurança, não estamos no Iraque."

Para Joppert, o possível seqüestro de um brasileiro não deve mudar a postura do Itamaraty em relação ao Iraque.

"Para nós, o caso é especial porque tocou um cidadão brasileiro, mas não significa necessariamente uma piora da situação, que é muito difícil", afirmou o diplomata.

Ele lembra ainda que o Itamaraty não recomenda a ida de brasileiros ao país, nem de jornalistas.

Joppert disse também que o fato de a região em que o brasileiro desapareceu não ser alvo freqüente de ataques extremistas levou a Odebrecht a trabalhar com a hipótese de que o possível seqüestro tenha objetivo financeiro, não político.

O brasileiro, cuja identidade ainda não foi revelada, teria desaparecido na manhã desta quarta-feira depois que o carro em que estava foi atacado por insurgentes.

Ele estava em um carro com dois funcionários da empresa de segurança britânica Janusian - um britânico e um iraquiano - que foram mortos.

O carro em que eles estavam teria sido atacado por insurgentes perto de uma estação de energia que estava sendo patrulhada pela firma nas proximidades de Beiji, no centro do Iraque.