13 de janeiro, 2005 - 18h02 GMT (16h02 Brasília)
O ministro do Exterior de Israel, Silvam Shalom, disse que a escolha de fantasia do príncipe Harry, da Grã-Bretanha - que se vestiu de nazista numa festa - é algo pelo qual "não se deve mostrar compreensão ou simpatia".
"O uso de símbolos nazistas é intolerável (...) Especialmente quando estamos nos preparando para celebrar os 60 anos da libertação dos campos da morte, algo que vai ser marcado por eventos como uma conferência na ONU e em Auschwitz."
Fotos do príncipe, o terceiro na linha de sucessão ao trono britânico, foram reproduzidas em jornais israelenses nesta quinta-feira. A foto original apareceu no tablóide britânico The Sun, com o título "Harry, o nazista".
O vice-primeiro-ministro israelense, Shimon Peres, disse que a fantasia foi inapropriada.
"Talvez na próxima vez ele se vista e se comporte como um príncipe. É muito bizarro, muito estranho", disse Peres.
Ignorância
A festa a fantasia aconteceu no sábado e teve como tema "Nativo e colonial". O anfitrião foi o cavaleiro da equipe olímpica britânica Richard Meade.
O respeitado historiador judeu da Segunda Guerra Mundial David Cesarani disse que a atitude de Harry, filho do príncipe Charles e da princesa Diana, e neto da rainha Elizabeth, foi típica da ignorância entre as pessoas mais jovens.
Uma pesquisa recente conduzida pela BBC revelou que cerca de 40% das pessoas com menos de 25 anos não sabe onde ficava nem o que era Auschwitz.
"Acho que o príncipe Harry pode exemplificar a ignorância lamentável entre muitos jovens", disse.
Mas há quem diga que, aos 20 anos, e com acesso a uma educação de qualidade, o príncipe deveria saber o que estava fazendo.
Disciplina
E há quem acredite que o príncipe pare de cometer gafes desse tipo e de se envolver em confusões em boates assim que tiver que enfrentar a disciplina do Sandhurst Military College, onde ele deve começar a estudar em três meses.
Mas o parlamentar trabalhista Doug Henderson, ex-ministro das Forças Armadas, afirma não acreditar que Harry esteja pronto para entrar nessa faculdade.
"Acho que a fantasia de nazista vai ofender muitas pessoas que lutaram na Segunda Guerra Mundial e parentes de pessoas que morreram na guerra. E eu realmente acho que isso desqualifica Harry para Sandhurst", afirmou.
O próprio tema da festa fez muita gente protestar, lembrando de um passado que a Grã-Bretanha já teria deixado para trás.
O líder da oposição, Michael Howard, que é judeu, quer que Harry peça desculpas pessoalmente em público.
A Casa Real emitiu uma declaração em nome do príncipe desculpando-se por qualquer ofensa.
Insensibilidade
O chefe de Política Externa e Segurança da União Européia, Javier Solana, também criticou Harry.
"Não é uma coisa apropriada a se fazer", disse.
Em Israel, Robert Rozett, diretor do Yad Vashem, o memorial nacional aos seis milhões de judeus mortos durante a perseguição nazista, disse que Harry foi insensível.
"Quando um príncipe da Grã-Bretanha veste o uniforme de um soldado nazista em uma festa, indica que as lições e o significado do Holocausto não entraram realmente no entendimento e na consciência das pessoas."
A história também aparece nos jornais da Alemanha. Lá também houve surpresa e desapontamento.