12 de janeiro, 2005 - 17h45 GMT (15h45 Brasília)
Valquíria Rey
de Roma
A polícia de Lecce, no sul da Itália, prendeu nesta quarta-feira uma quadrilha, liderada por três irmãs brasileiras, acusada de exploração de imigrantes brasileiros clandestinos.
Segundo a polícia, Maria da Conceição, Maria Aparecida e Maria Alexina colocavam anúncios em jornais brasileiros, oferecendo emprego, permanência legal e bom salário na Itália.
No entanto, ainda de acordo com os policiais italianos, na chegada ao país, as vítimas encontravam uma realidade bem diferente. O passaporte era tomado pela quadrilha já no aeroporto e todas eram obrigadas a trabalhar sem receber qualquer dinheiro em troca.
“Era uma agência de trabalho ilícito. Conseguimos os depoimentos de um homem e de seis mulheres brasileiras, vítimas das irmãs Moreira, que confirmaram toda a história”, informou Rocco Carrozzo, vice-comandante da Polícia de Lecce.
“A Procuradoria Geral da República de Lecce está acompanhando o caso desde julho de 2002 e, finalmente, hoje conseguimos a ordem para capturá-las.”
Italianos
Segundo Carrrozzo, junto com as brasileiras, que têm entre 38 e 42 anos e são naturais de Minas Gerais, também foram presos dois italianos. Um deles casado com Maria da Conceição. De acordo com o policial, se condenados, os cinco poderão pegar até sete anos de prisão.
“A quadrilha orientava os brasileiros a comprar passagem de ida e volta e levar um pouco de dinheiro, para evitar qualquer tipo de constrangimento com a imigração italiana”, diz Carrozzo, que classificou de “limpeza” a operação que culminou com a prisão das brasileiras.
“Como os brasileiros não precisam de visto para ingressar no país, a situação era muito fácil para as irmãs Moreira.”
Na Itália, os brasileiros trabalhavam como faxineiros, operários ou acompanhantes de idosos. Os salários, entregues integralmente à quadrilha, eram de pelo menos 500 euros por mês, o equivalente a mais de R$ 1.800,00.
Conforme a polícia, os patrões dos brasileiros explorados também serão punidos por oferecem trabalho a clandestinos.
“Os empregadores eram coniventes com a organização das Moreira”, diz Carrozzo. “Agora, todos serão denunciados ao Ministério do Trabalho italiano”.
Tanto a polícia, quanto o Ministério Público de Lecce, ainda não têm informações exatas sobre o número de brasileiros que vinham sendo explorados pela quadrilha, nem a rentabilidade obtida por eles com o tráfico de mão de obra ilegal.
Outras regiões do país também devem ser investigadas. Duas das irmãs Moreira moravam em Lecce, no sul. A outra vivia em Varese, no norte da Itália.
No processo, um dos italianos presos também está sendo acusado de ter abusado sexualmente inúmeras vezes de uma das vítimas.