12 de janeiro, 2005 - 13h00 GMT (11h00 Brasília)
Os países credores reunidos no chamado Clube de Paris discutem nesta quarta-feira na França formas de aliviar a dívida das nações afetadas pelo tsunami no Oceano Índico.
O governo francês propõe ações de larga escala para a ajuda financeira. Sugere, por exemplo, uma suspensão nos pagamentos da dívida desses países.
A Tailândia, porém, que teve seu litoral duramente castigado pelo maremoto, deve rejeitar a oferta de moratória, assim como a Índia.
"Cada país é livre para aceitar ou não esta proposta de moratória feita pela França, idéia aceita pelos outros países-membros do G-7 e do Clube de Paris", declarou o ministro das Finanças francês, Hervé Gaymard, à Rádio França Internacional.
"Alguns países, por exemplo a Tailândia, não desejam ser beneficiados por essa moratória, porque têm um nível de endividamento menor do que os outros e não querem que os seus papéis sejam desvalorizados nos mercados financeiros internacionais."
Gaymard disse que a Tailândia e a Malásia "pegaram capitais no mercado internacional e têm bem menos dívidas bilaterais que a Indonésia, o Sri Lanka e as Ilhas Seichelles, que são os três países que acredito que aceitarão esta oferta".
'Insuficiente'
O ministro das Finanças francês disse ainda que, ao seu ver, a moratória e a ajuda financeira para a reconstrução prometida ainda são insuficientes para lidar com os problemas no mundo em desenvolvimento.
Ele lembrou que o presidente Jacques Chirac vem propondo a criação de um imposto internacional para financiar ajuda humanitária nos países mais pobres. E propôs que o tema seja discutido na próxima reunião do G-7.
Gaymard afirmou que existem diversas hipóteses sobre como este imposto poderia ser obtido, como a criação de taxas no uso de aeroportos ou nos combustíveis.
A proposta, segundo ele, não seria mais um imposto sobre os contribuintes dos países ricos. Seria uma taxa cobrada sobre determinadas transações financeiras.