11 de janeiro, 2005 - 19h46 GMT (17h46 Brasília)
Apenas cerca de 8,5 mil pessoas voltaram para Falluja, no Iraque, dois meses depois que os americanos bombardearam intensamente a cidade, segundo estimativas do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).
O ACNUR diz que, desde o fim dos combates, cerca de 85 mil moradores visitaram Falluja para inspecionar suas casas, mas apenas 10% deles decidiram permanecer na cidade.
Originalmente, a cidade de Falluja tinha 250 mil habitantes.
O comissariado, que não tem funcionários no Iraque, disse que suas estimativas são baseadas em informações de agências parceiras e autoridades iraquianas.
Segundo a repórter da BBC Pam O'Toole, a ONU diz que muitos moradores de Falluja estão relutantes em voltar para casa por causa da falta de segurança e porque suas residências estão destruídas.
Destruição
Muitos moradores têm manifestado intenção de ficar fora da cidade até depois das eleições no Iraque, marcadas para 30 de janeiro, segundo o comissariado.
"É muito uma questão de segurança para as pessoas. O primeiro motivo que as pessoas que deixaram Falluja nos dão para não voltar é segurança", disse à BBC Marie-Helene Verney, porta-voz do ACNUR.
"A segunda razão é que suas casas foram destruídas e a terceira razão é, freqüentemente, a falta de infra-estrutura de serviços públicos, falta de escolas, de hospitais."
Sem água
Os moradores que voltaram estão vivendo em condições difíceis.
O fornecimento de energia é esporádico e algumas áreas da cidade ainda não têm água.
Segundo o ACNUR, muitas pessoas querem voltar para casa e recentemente, pela primeira vez, muitas famílias inteiras começaram a retornar.
Mas o comissariado informou ainda que 17% dos antigos moradores de Falluja que participaram de uma pesquisa limitada também disseram ter comprado terras fora da cidade.