11 de janeiro, 2005 - 12h37 GMT (10h37 Brasília)
Marcelo Crescenti
de Frankfurt
A reforma da previdência social na Alemanha entrou em uma nova fase no começo deste ano, com mais exigências e menos dinheiro para quem está sem trabalho.
Sindicatos e os próprios desempregados protestaram em frente a várias secretarias regionais do trabalho.
O pacote de medidas, que tem como objetivo flexibilizar o mercado de trabalho, é parte da chamada Agenda 2010, do chanceler alemão Gerhard Schröder, que inclui cortes profundos no sistema previdenciário e não poupa desempregados e aposentados.
Agora quem fica desempregado por mais de um ano é obrigado a aceitar ocupações abaixo de seu nível de qualificação. Quem não tem trabalho mas tem mulher, marido ou filhos assalariados pode deixar de receber o seguro-desemprego.
Crise
Por outro lado, quem tem filhos pequenos vai receber mais dinheiro. E uma nova categoria de empregos de baixo custo, pagos a um euro por hora de trabalho, incentiva os desempregados a ganhar um adicional ao salário-desemprego
Com a economia em crise, o governo teve que gradualmente mudar a face do Estado paternalista que era a Alemanha na época das vacas gordas.
Em 2004, 4,4 milhões de pessoas estiveram desempregadas na Alemanha, o equivalente a 10,8% da população – a maior taxa de desemprego desde 1997.
A economia fraca e a falta de perspectivas para o mercado de trabalho forçaram o governo a reformar o sistema, diz Manfred Nitsch, economista da Universidade Livre de Berlim.
“Os alemães tiveram que reconhecer que o alto desemprego permanente era um fardo pesado demais para os cofres públicos”, disse Nitsch.
Os cortes na previdência causaram manifestações em frente a várias secretarias regionais do trabalho. Desempregados e os sindicatos criticam duramente a reforma e se sentem traídos pelo governo alemão, liderado justamente pelo partido social-democrata, um tradicional aliado dos trabalhadores.
O ministro da economia, Wolfgang Clement, defende o governo e diz que o problema não é a reforma, mas sim o alto desemprego, que não pode ser reduzido com medidas convencionais.
Ele também aposta na reorganização da secretaria federal do trabalho, que está entre as novas medidas.