11 de janeiro, 2005 - 00h12 GMT (22h12 Brasília)
David Loyn
O ministro das Relações Exteriores da Indonésia, Hassan Wirajuda, disse que está em vigor "um acordo de cavalheiros" para suspender o conflito em Aceh enquanto estiver em andamento trabalho de socorro às vítimas do tsunami.
Tem havido choques esporádicos entre o Exército da Indonésia e os guerrilheiros que lutam pela independência de Aceh, mesmo durante a operação de auxílio às vítimas do maremoto.
As Forças Armadas da Indonésia tentaram impedir que helicópteros dos Estados Unidos lançassem cargas de socorro nas áreas controladas pelos rebeldes.
O ministro confirmou, no entanto, que o acordo está permitindo que a ajuda chegue até as áreas sob controle dos rebeldes.
Chance
O ministro das Relações Exteriores indicou que seu governo pode usar a tragédia como uma chance para fazer a paz.
"Tentamos fazer vigorar esse acordo de cavalheiros fazendo contatos com a liderança do GAM (movimento de independência de Aceh) e acho que sentimos que há otimismo, pois ambos os lados estão interessados na reconciliação", disse Hassan Wirajuda.
A guerra pela independência da região de Aceh vem se desenrolando há cerca de 15 anos e se intensificou nos últimos dois anos.
Até agora, o governo não tinha dado uma resposta pública a uma oferta de cessar-fogo do GAM.
Um acordo de cavalheiros ainda está longe da paz, mas o governo da Indonésia, eleito há poucos meses, pode usar isso como um passo inicial para abrir propriamente a porta para verdadeiras negociações de paz.
O maior obstáculo são os abusos de direitos humanos dos dois lados, especialmente das forças do governo.
O ministro Hassan Wirajuda estava em Londres nesta segunda-feira, mas seguiu para Paris para tentar fechar os detalhes do congelamento dos pagamentos da dívida que foi oferecido à Indonésia.