Adriana Stock e Mônica Valéria Villela
A brasileira Joana Merlin-Scholtes, que está chefiando uma missão da ONU (Organização das Nações Unidas) na Tailândia, disse que em muitas áreas do país a ajuda ainda não chegou e que há pessoas sem comer há três dias.
"A maior necessidade para eles (as equipe de resgate) agora é o transporte de bens de socorro às populações mais afetadas. Tem gente se queixando que está sem comida há três dias", disse Joana em entrevista à BBC Brasil.
"É muito difícil, porque temos de agir muito rápido, desde quando recebemos esses bens até o momento em que os distribuímos."
Segundo a brasileira, as estradas sofreram danos estruturais, mas a comunicação com as zonas atingidas já foi restabelecida. "Muita assistência está sendo feita por helicóptero, mas já há passagem para caminhões que transportam auxílio de urgência."
Joana é a representante da ONU no país desde o início de dezembro e ficará no posto em Bangcoc por três anos. Funcionária de carreira das Nações Unidas, a brasileira já comandou missões especiais da organização no Vietnã e no Haiti.
Ela conta que o trabalho de assistência no país está sendo feita pelo governo e por países doadores, ONGs, voluntários e pela ONU.
"A Tailândia não fez um apelo internacional de assistência. Eles estão aceitando tudo o que se pode enviar, mas optaram por não fazer um pedido de auxílio porque acham que são um país de desenvolvimento médio e que podem suprir muitas de suas necessidades", disse ela.
Joana sobrevoou a região de Phuket de helicóptero e disse que a situação é arrasadora.
"Realmente, toda a infra-estrutura hoteleira de beira de praia está destruída. Nas áreas mais pobres, as cabanas de pescadores estão completamente destruídas, barcos de pescadores estão jogados contra a areia, redes de pesca desapareceram, a vegetação está totalmente destruída", afirmou.
O número de mortos em conseqüência do maremoto já chega a 124 mil. Só na Tailândia, há 4.510 mortes confirmadas.