21 de dezembro, 2004 - 10h25 GMT (08h25 Brasília)
Mark Polsen trabalhou 36 anos como executivo numa companhia de transporte e se aposentou, aos 65 anos, com US$ 151 mil por ano.
Para quem já tem a casa paga, saúde e os filhos fora da universidade, é um bom dinheiro. E era até o ano passado.
A empresa de transporte onde ele trabalhou faliu. A pensão foi assumida pelo governo federal e reduzida para US$ 22 mil por ano.
Mark, como milhões de outros americanos que trabalharam a vida inteira acreditando numa gorda pensão, voltaram a trabalhar ou buscam empregos. Milhares enchem sacolas em caixas dos supermercados.
Pilotos da Pan American, U.S. Airways e outras companhias de aviação que se aposentaram com US$ 100 mil por ano hoje vivem com pouco mais de US$ 20 mil.
Em 1974, o governo federal aprovou uma lei para garantir pensões prometidas pelas empresas privadas, mas a lei tem uma série de limitações e não paga acima de US$ 45 mil por ano.
A agência do governo que garante as aposentadorias é a Pension Benefit Guaranty Corporation, que já assumiu as pensões de mais de 1 milhão de aposentados de empresas falidas.
Agora está com um déficit de quase US$ 10 bilhões, crescendo dia a dia. Ninguém sabe de onde vai vir o dinheiro.
O sistema americano de aposentadorias não é tão distorcido como o brasileiro, mas tem seus desequilíbrios.
Em Nova York, por exemplo, um policial do sistema metropolitano de transportes que ganha US$ 60 mil por ano pode triplicar o salário com horas extras e se aposentar depois de apenas 20 anos de trabalho com uma pensão acima de US$ 100 mil. A cidade garante.
George Bush quer privatizar parte da Previdência, e todos concordam que o modelo criado em 1935 precisa rejuvenescer. Naquele ano, havia 42 ativos para um aposentado. Em 2035, cem anos depois, serão 2 para 1.
Isso não tinha sido calculado, nem que em 2035 um quarto da população americana terá mais de 65 anos e mais um milhao terão mais de cem anos.