13 de dezembro, 2004 - 13h16 GMT (11h16 Brasília)
Fernando Havsberg
de Havana
Milhões de cubanos participam esta semana de um exercício militar que mobilizará forças do Exército, da Aeronáutica, da Marinha, da defesa antiaérea e do Ministério do Interior, entre outras.
O subchefe do Estado-Maior, general Leonardo Andollo, disse que o objetivo é testar "o sistema defensivo do país diante da crescente agressividade e ameaças do governo dos Estados Unidos".
Manobras semelhantes foram feitas nos anos 80, durante o governo de Ronald Reagan. Elas simulam a defesa do território da ilha no caso de uma invasão americana.
Há 18 anos que o país não realizava um treinamento de guerra dessas dimensões. Mais de 100 mil pessoas estarão envolvidas na primeira etapa, e milhões participarão nos dois dias finais.
Lágrimas
Durante semanas a imprensa cubana vêm detalhando os preparativos em todos os setores participantes, destacando os riscos de um confronto com os Estados Unidos.
As notícias sobre o exercício militar dizem que seu objetivo é "garantir a paz e o bem-estar de nosso povo, frente às ameaças do império fascista".
O principal noticiário da TV estatal apresenta reportagens emotivas em que integrantes de milícias juram com lágrimas nos olhos que lutarão para defender a pátria e suas famílias numa invasão americana.
"Que o senhor presidente (Bush) não se iluda, essas lágrimas não são provocadas pela covardia", acrescenta a jornalista, que, com uma música ao fundo, anuncia que as lágrimas são decorrentes do patriotismo.
O ministro da Defesa, Raúl Castro, disse na TV que é preciso se preparar psicologicamente para que a morte no conflito de personalidade importantes "não derrube a resistência. Caia quem cair, a luta deve continuar".
O general Raúl Castro afirmou que ninguém deve se render e, no caso de Cuba ser derrotada pelos Estados Unidos, "cairá sobre nosso país a noite mais longa e escura de toda sua história".
A mensagem dos chefes militares cubanos é que uma invasão militar americana é possível com o atual governo de George W. Bush e que ela só pode ser impedida com a participação de todo o país na guerra.