11 de dezembro, 2004 - 18h37 GMT (16h37 Brasília)
Claudia Gurfinkel
Enviada especial a Birmingham
Diego Hypólito fez história neste sábado ao conquistar o ouro no solo na grande final da Copa do Mundo de Ginástica Artística, que acontece neste fim de semana na cidade inglesa de Birmingham.
Ele foi o primeiro ginasta brasileiro a conquistar vaga em uma final de Copa do Mundo. Já não bastasse este feito, levou uma medalha na estréia.
Quarto atleta a se apresentar no National Indoor Arena, a série do irmão mais novo de Daniele Hypólito foi muito aplaudida pelo público.
“Eu fiz uma série muito boa, foi a melhor que eu já fiz”, disse Diego Hypólito, que estava usando um novo uniforme inspirado no da seleção brasileira. “A gente quis fazer uma coisa mais Brasil mesmo, a gente idolatra nosso país. Então cada vez tem de ser mais brasileiro, mostrar as cores do nosso país.”
Favoritos
Diego, de 18 anos, recebeu 9,737 pontos e ficou na primeira colocação. A medalha de prata foi para o japonês Isao Yoneda, ouro por equipes em Atenas, com 9,550 pontos. Em terceiro lugar ficou o húngaro Robert Gal, que marcou 9,537.
O ginasta brasileiro era um dos favoritos na prova. Ele ganhou o ouro nas últimas quatro etapas da Copa do Mundo, no Rio de Janeiro, em La Serena (Chile), em Glasgow (Escócia) e em Ghent (Bélgica).
“Foi penta igual ao futebol, quinto título seguido no solo”, disse Renato Araújo, técnico do Diego há dez anos.
O maior rival do brasileiro, o romeno Marian Dragulesco (prata em Atenas), ficou em quinto lugar com 9,362 pontos. Com 20 segundos de apresentação, Dragulesco saiu do tablado, o que representou uma penalidade de 0,10 ponto.
Medalhas
Qualquer erro nesta final é fatal, já que, ao contrário do que acontece nos outros eventos de relevância internacional, não há fase classificatória. Os ginastas fazem apenas uma apresentação, e a nota recebida é considerada o resultado final.
Além dos resultados, outro fator que contribuiu ao status de favorito de Diego foi a ausência de quatro rivais de peso em Birmingham. Entre os ausentes estão o búlgaro Jordan Jovtchev, que está machucado, e o americano Paul Hamm, que alegou ter compromissos em seu país.
Jovtchev é atual campeão mundial, pratas nas argolas e bronze no solo em Atenas e lidera o ranking geral da prova. Hamm levou a prata na barra fixa e por equipes, e o ouro no individual geral nas Olimpíadas. Também não estão em Birmingham Kyle Shewfelt, do Canadá, e Igors Vihrovs, da Letônia, números três e quatro do ranking mundial de solo, respectivamente.
A grande final reúne os oito melhores ginastas de cada aparelho, levando em conta os rankings de 2003 e 2004. A Copa do Mundo, que teve 11 etapas distribuídas nos últimos dois anos, só perde em importância para as Olimpíadas e o Mundial.
Diego ganhou sete das 26 medalhas conquistadas pelo Brasil nesses dois anos. Ele não pôde tentar uma medalha olímpica porque a equipe brasileira masculina não se classificou para os Jogos de Atenas, e ele não obteve vaga no individual geral.
O brasileiro volta ao local de competição neste domingo, quando tenta uma medalha no salto sobre o cavalo.
“Amanhã é mais difícil para o Diego, mas de vez em quando ele belisca uma medalha”, afirmou o técnico Renato Araújo.
Também no domingo, Daiane dos Santos e Daniele Hypólito competem no solo, e Daniele ainda tenta subir ao pódio também na trave.