10 de dezembro, 2004 - 11h24 GMT (09h24 Brasília)
Jonathan Head
De Tóquio
O governo do Japão anunciou nesta sexta-feira a primeira mudança na sua estratégia militar nos últimos nove anos, instituindo novos termos aos compromissos assumidos depois da Segunda Guerra Mundial.
Os novos planos prevêem a suspensão de algumas restrições sobre a exportação de armas, o desenvolvimento de novos sistemas antimísseis e uma maior participação de tropas japonesas em missões de paz no exterior.
No entanto, um dos pontos mais polêmicos do projeto – a construção de mísseis de longo alcance, capazes de realizar ataques preventivos contra outros países – foi excluído do texto final.
O governo japonês fez questão de frisar que as mudanças não significam um abandono do princípio de autodefesa que rege o país desde 1945.
Nenhuma das mudanças deve revolucionar esses princípios, mas elas parecem tentar equiparar o poderio militar do Japão ao econômico, nos moldes seguidos pela maioria dos países desenvolvidos.
Segundo o acordo feito após a derrota na Segunda Guerra Mundial, o Japão se compromete a jamais ameaçar outros países e se transformar em uma potência militar novamente.
Exportação
A nova estratégia, no entanto, reserva ao país o direito de desenvolver sistemas de defesa antimísseis em parceria com os Estados Unidos com o objetivo de exportação.
Desde que a Coréia do Norte revelou ter seus próprios sistemas de mísseis de longo alcance, que poderiam atingir o Japão no caso de um ataque, muitos japoneses passaram a se sentir inseguros apenas com a proteção dos americanos.
O documento oficial japonês também cita com desconfiança o desenvolvimento armamentista da China e afirma que o país precisa ser observado com atenção.
Japão e China têm um relacionamento instável, complicado pelas recordações deixadas pela ocupação japonesa do país na Segunda Guerra Mundial e, mais recentemente, por rivalidades na liderança diplomática da Ásia e disputas por recursos naturais.
A menção a uma maior mobilidade e multifuncionalidade nos recursos militares do Japão no documento do Ministério da Defesa japonês também indica que as tropas do país devem passar a ser usadas em missões de paz no exterior com maior freqüência.
Recentemente, o governo estendeu por um ano a presença das tropas japonesas no sul do Iraque.