10 de dezembro, 2004 - 21h35 GMT (19h35 Brasília)
Jair Rattner
de Lisboa
O presidente português Jorge Sampaio anunciou nesta sexta-feira a data para as eleições legislativas antecipadas do país: 20 de fevereiro. O anúncio encerra uma crise política que já dura dez dias.
Na terça-feira da semana passada, o primeiro-ministro Pedro Santana Lopes saiu de uma audiência com o presidente Sampaio e anunciou que estava demitido.
O presidente optou por adiar a dissolução do Parlamento – oficializada nesta sexta - por dez dias para a aprovação do orçamento do governo.
Ao anunciar a data, Sampaio disse que sua decisão "corresponde a uma avaliação que (ele faz) do interesse nacional”.
Oposição
O presidente considerou que o primeiro-ministro não conseguiu formar um governo estável, com credibilidade e consistente. Santana Lopes assumiu em Julho, quando o ex-primeiro-ministro José Manuel Durão Barroso saiu para a Presidência da Comissão Européia.
Ao anunciar ao país a queda do governo, Sampaio justificou dizendo terem ocorrido “sucessivos incidentes, declarações e contradições que deram origem à falta de credibilidade do governo e do país”.
A crítica do presidente ao governo incluía a acusação de que este mostrava “um padrão de comportamento sem qualquer possibilidade de mudança ou regeneração”.
Em reação à decisão do presidente de marcar as eleições, o dirigente do governista Partido Social-Democrata, Vítor Cruz, recuou nos ataques que vinha fazendo nos últimos dias a Sampaio.
“Respeitamos a decisão do presidente, mas discordamos dela”, disse ele. Nos últimos dias, o partido chegou a acusar Sampaio de ter dado um “golpe constitucional” e a exigir a redução dos poderes presidenciais.
Na oposição, o discurso já é de campanha eleitoral. Pedro Silva Pereira, porta-voz do Partido Socialista, disse que “o governo caiu porque falhou, dada a incapacidade do primeiro-ministro de coordenar o governo".