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10 de dezembro, 2004 - 10h59 GMT (08h59 Brasília)

Sobe o pano

Na terça-feira, dia 7, foi reaberto o La Scala, de Milão, depois de três anos de obras de restauração.

A platéia aplaudiu o teatro por 12 minutos antes mesmo da cortina se abrir.

Presentes altas personalidades do mundo das altas personalidades. Só que não tão altas quanto, a princípio, queriam as autoridades responsáveis pelo teatro que abriga a Ópera de Milão.

Foram convidados a Rainha Elizabeth, George Bush e Jacques Chirac, entre outras “slebs” (celebridades. É como os jornais populares se referem a elas. Deverá pegar a próxima edição do dicionário Oxford).

Tiveram de se contentar com o rei Harald e a rainha Sonja, da Noruega, e o presidente da Suiça, cujo nome se me escapa, como escapa a quase todo mundo.

Bel canto

Num camarote, após driblar manifestantes, o primeiro-ministro Sílvio Berlusconi, mais mulher e filha, se fazia cercar por outros três primeiros-ministros: da Croácia, da Bulgária e da Albânia.

Todos admiradores do bel canto, apreciadores da decoração de luxo e das mulheres com elegantes vestidos longos, mais jóias e peles.

Foi uma noitada digna da pena de um Ibrahim Sued, para citar nosso maior cronista social, ainda recentemente agraciado com praça e estátua de bronze em Copacabana.

Tiveram de se contentar com as observações sagazes da sempre bela Sofia Loren, que declarou à imprensa que o novo La Scala era bellissimo.

Todo vermelho, a cor que ela mais gosta.

Do lado, Giorgio Armani, que entende de bellissimo e de cores, vermelhas ou mais, sorriu para as objetivas.

Pressionado, acabou admitindo que a obra a ser encenada e cantada (Europa Riconosciuta, de Salieri, aquele da peça e do filme Amadeus) não estava entre suas favoritas.

Segundo o estilista de alta grife, “é preciso ser um perito para apreciá-la. Eu gosto é de La Traviata, do Verdi”.

Bailarinos

“Eu gostei”, disse depois Berlusconi, segundo a Associated Press.

“Gostei da parte cantada e da música”, acrescentou o ex-crooner de baladas românticas.

Houve ainda protestos por bailarinos profissionais que espalharam, pelo nobre recinto, volantes protestando contra uma impensada cláusula do próximo orçamento-contrato que os obrigará a continuar rodopiando pelos ares até os 65 anos de idade.

Isso tudo não tem nada a ver com Londres.

Mas eu achei a notícia mais engraçada de uma semana danada de besta, para variar.