09 de dezembro, 2004 - 12h53 GMT (10h53 Brasília)
Mia Hamm pendurou as chuteiras. Seu último jogo foi ontem, contra a seleção mexicana, na Califórnia. Mia tem 32 anos e, desde os 15, ela fez parte da seleção americana.
Um fenômeno de precocidade, persistência e de gols. Marcou 158 pela seleção. Quantos, homens ou mulheres, marcaram tantos? Nenhum.
Desses 17 anos, 12 foram vividos na obscuridade. Até a Copa Mundial de 1999, futebol de mulher não era coisa nem de mulher, mas aquela Copa, sem promoção, com pouca cobertura, de repente pegou fogo.
A final levou 90 mil pessoas para o Rose Bowl de Los Angeles, e 40 milhões assistiram pela televisão. Ate hoje é a audiencia recordista de futebol nos Estados Unidos, masculino ou feminino.
As americanas ganharam das chinesas na disputa de pênaltis, e a carreira de Mia deslanchou. Ela fez comerciais e foi eleita pela revista People uma das 50 mulheres mais bonitas do ano. Foi bicampeã do mundo e bicampeã olímpica. A Nike batizou um prédio com o nome dela, e ela foi recebida pelo então presidente Clinton na Casa Branca.
Liga
Na fama e no carisma de Mia, foi criada a liga americana de futebol feminino, a WUSA, com patrocinadores, salários anuais e contrato de televisão. Naquele momento, parecia o esporte mais promisssor nos Estados Unidos.
Apesar de tantos títulos, de tantas crianças atraídas para o futebol e da estrela de Mia, a liga feminina morreu em 2003. A audiência dos estádios estava na faixa de 12 mil pessoas, e a liga não conseguiu renovar o contrato de televisão.
A liga de futebol dos homens, que esteve tantas vezes à beira da morte na UTI, tem mais de sete vidas. É sustentada por três bilionários americanos que apostam no esporte, pela entrada de um prestigiado time mexicano, o Chivas, um contrato de US$ 100 milhões da Adidas, cobertura de televisão e o talento do atacante Freddie Adou.
Até quando vai durar é um mistério. Nos Estados Unidos, futebol é um esporte de risco.