01 de dezembro, 2004 - 09h26 GMT (07h26 Brasília)
Hector Latorre
em Bogotá
A Câmara dos Deputados da Colômbia aprovou na terça-feira uma mudança na Constituição do país para permitir a reeleição do presidente Álvaro Uribe.
A proposta, que já havia sido aprovada pelo Senado, recebeu 116 votos a favor e 13 contra após 12 horas de debate.
O presidente colombiano e seus sucessores vão poder se reeleger apenas uma vez. A próxima eleição será em 2006.
O mandatário poderá começar sua campanha pela reeleição quatro meses antes de terminar seu mandato e não poderá usar recursos do governo para financiá-la.
Oposição
Um dos pontos mais polêmicos das mudanças aprovadas na terça-feira foi a rejeição de uma proposta para acabar com a proibição de que prefeitos e governadores se candidatem a presidente enquanto seus mandatos ainda estão em vigor.
Dessa maneira, ficam excluídas do próximo pleito presidencial duas das principais figuras da oposição ao governo central – o prefeito de Bogotá, Luis Eduardo Garzón, e o governador do departamento do Vale do Cauca, Argenlino Garzón.
Ambos pertencem ao partido Pólo Democrático Independente (PDI), que deve denunciar as emendas aprovadas na terça-feira à Corte Constitucional colombiana e à Organização dos Estados Americanos (OEA).
“Fomos impedidos de participar (da eleição presidencial) com nossos melhores candidatos”, disse o deputado do PDI Gustavo Petro.
O ministro do Interior, Sabas Pretelt, agradeceu aos congressistas pela aprovação do projeto, dizendo que a decisão respalda os altos índices de popularidade de Uribe.
A reeleição do presidente havia sido totalmente proibida em 1991, e antes disso os mandatários só podiam voltar ao cargo em mandatos não-consecutivos.
O único presidente a ser reeleito para mandatos consecutivos na Colômbia foi o herói da independência latino-americana Simón Bolívar, entre 1821 e 1830.