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30 de novembro, 2004 - 21h32 GMT (19h32 Brasília)

Caio Blinder
de Nova York

Obstáculos continuam imensos no Oriente Médio

Há uma excelente notícia no conflito entre Israel os palestinos: desde a morte de Yasser Arafat, a expressão "oportunidade diplomática" se tornou mais popular que o clichê "escalada da violência".

Dirigentes dos dois lados, assim como figuras dos círculos decisórios nos EUA e Europa, não perdem uma oportunidade para fazer acenos positivos.

Com a morte de Arafat, os palestinos colocaram em marcha um processo eleitoral que, se tudo ocorrer conforme o previsto, deve culminar na consolidação do poder de Mahmoud Abbas, invariavelmente descrito como moderado, embora o termo mais preciso seja pragmático.

Um ponto fundamental é a divergência de Abbas ao que ele qualifica de militarização da insurreição palestina, ou seja, o que alguns chamam de atos terroristas.

Simbolismo

Militantes da chamada jovem guarda palestina do grupo Fatah se renderam ao pragmatismo e decidiram não desafiar o veterano Abbas.

Após flertar com a idéia de concorrer, embora esteja preso em Israel, o carismático Marwan Barghouti decidiu cerrar fileiras com Abbas, que é mais respeitado no exterior do que nos territórios palestinos e visto como uma figura de transição.

Barghouti calculou que liderar da prisão iria simplesmente perpetuar o simbolismo da resistência palestina, tão abusado por Arafat, sem trazer resultados efetivos.

Do lado israelense, há gestos conciliatórios.

O governo Sharon promete remover obstáculos para a realização das eleições presidenciais palestinas em 9 de janeiro e, em uma entrevista à revista Newsweek, o primeiro-ministro disse que está disposto a coordenar a retirada de Gaza com os palestinos.

Ele nunca tinha dito isto sobre o plano supostamente unilateral.

Na mesma edição de Newsweek, Abbas usou o tom de Sharon insistindo na tal de oportunidade diplomática no Oriente Médio aberta com a morte de Arafat, com o qual os israelenses se recusavam sequer a manter contatos enquanto estava confinado em Ramallah.

Oportunidades

Agora, Sharon e Abbas estão dispostos a se encontrar, o que obviamente não é o mesmo que se engajar em negociações substantivas.

Há oportunidades, mas também as habituais e imensas dificuldades internas.

Para Sharon é sempre um processo penoso preservar a coalizão de governo, com as intermináveis barganhas com a ultradireita nacionalista e os pequenos partidos religiosos.

A qualquer momento eleições podem ser convocadas. E no caso palestino, os tumultos internos são igualmente tempestuosos, para não dizer violentos.

É preciso ser contraditório e dizer que Abbas, mesmo que consiga consolidar o seu poder, estará em uma posição precária.

A tarefa ingrata de Abbas para conter os ataques suicidas de extremistas islâmicos e seculares sempre será uma desculpa para Sharon fechar a janela diplomática.

E qual é o papel americano neste novo cenário, especialmente se levarmos em conta a reeleição do presidente Bush?

Israel considera Bush um aliado de ferro, mas ao mesmo tempo há preocupação que no segundo mandato, sem o compromisso de reeleição, o presidente esteja mais à vontade para pressionar Sharon por concessões.

Já os palestinos não esperam grandes mudanças em Washington, mas de qualquer forma têm expectativas de que a morte de Arafat (com o qual Bush não queria saber de conversa) reabra os canais de comunicação.

Sim, há oportunidades diplomáticas no Oriente Médio.