19 de novembro, 2004 - 21h14 GMT (19h14 Brasília)
Marcia Carmo
enviada especial a Santiago
Terminaram em confusão nesta sexta-feira duas manifestações contra a presença de 21 líderes mundiais, entre os quais o presidente americano, George W. Bush, em Santiago no fim de semana.
Eles vão participar da reunião da Apec (Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico). Bush só iria chegar à capital chilena durante a noite, mas foi o principal catalisador do protesto que reuniu 25 mil pessoas no centro da cidade, segundo a polícia chilena.
Entre 35 e 100 pessoas foram presas, segundo a imprensa chilena. Outras dez, pelo menos, ficaram feridas e foram hospitalizadas.
Gás e água
Os confrontos ocorreram no lugar chamado de Parque Bustamante, a poucos minutos do centro de Santiago.
Os incidentes começaram quando pedras foram jogadas por manifestantes contra os soldados e os tanques de guerra utilizados no forte esquema de segurança montado com vistas ao encontro.
Os soldados chilenos usaram gás lacrimogêneo e jatos de água para tentar conter os mais violentos.
A reunião da Apec está levando a Santiago, até domingo, chefes de Estado e de governo dos Estados Unidos, Rússia, China, Japão, Coréia, Malásia, Canadá, Austrália e Peru, entre outros países.
O objetivo destes países, que têm em comum o acesso ao Oceano Pacífico, é implementar uma zona de livre comércio até 2020.
Juntos, eles reúnem cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
Helicópteros
Apesar de não ser integrante da Apec, o Brasil mandou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luis Fernando Furlan, como representante.
Ele participou do encontro paralelo que reúne 600 empresários de diferentes países e em seguida embarcou de volta ao Brasil, de acordo com a Embaixada do Brasil.
O medo de um ataque terrorista é o principal motivo, segundo as forças de segurança chilenas, para o forte esquema de segurança, que praticamente mantém Santiago isolada do restante do país.
Os líderes mundiais vão usar helicópteros para se deslocar e, segundo a imprensa chilena, pelo menos 5 mil soldados estão trabalhando nesta sexta-feira, declarado feriado pelo presidente Ricardo Lagos.