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19 de novembro, 2004 - 00h00 GMT (22h00 Brasília)

Cientistas desenvolvem 'olho eletrônico' para cegos

Um novo "olho", desenvolvido por cientistas japoneses, deve permitir, pela primeira vez, que pessoas cegas atravessem ruas movimentadas em total segurança.

O "olho eletrônico", que é montado num par de óculos, é capaz de detectar a existência e a localização de uma faixa de pedestres e, ao mesmo tempo, medir a largura da rua até a calçada mais próxima, além de detectar a cor do sinal de trânsito.

Tadayoshi Shioyama, professor do Instituto de Tecnologia de Kyoto e um dos criadores da novidade, disse que "a câmera seria montada na altura dos olhos e contectada a um pequeno computador".

"Ela transmitiria informação utilizando um sistema de comandos vocais e (o usuário receberia a) informação por um fone posicionado perto do ouvido."

Um passo a mais

O aparelho desenvolvido em Kyoto é o produto final de uma pesquisa que tem como objetivo dar a cegos toda a informação de locomoção necessária para cruzar uma rua com a ajuda de somente uma pequena câmera.

No ano passado, os autores do estudo anunciaram que tinham criado uma câmera, que, auxiliada por um computador, era capaz de medir a extensão de uma faixa de pedestres que tivessem o tamanho de até um passo – e, ao mesmo tempo, detectar a cor dos sinais de trânsito. Ela não dava, no entanto, uma informação crucial: onde ficava a faixa.

Com o novo "olho eletrônico", a extensão de uma faixa de pedestres é medida por projeção geométrica: a câmera faz uma imagem das linhas brancas pintadas na rua e as distâncias são determinadas com base nas propriedades das figuras geométricas vistas na imagem.

Experiências realizadas por Shioyama e seus colegas revelaram que a extensão da faixa poderia ser medida com uma margem de erro de apenas 5% do comprimento total – o que é menos de um passo.

Para o aparelho localizar o ponto exato da faixa de pedestres, a equipe de Shioyama utilizou o sistema de cálculo chamado de "projeção invariável", que pega a distância entre as linhas brancas e um grupo de pontos lineares no topo dessas linhas. Essa seria uma forma precisa de detectar o que é ou não uma faixa de pedestres numa dada imagem.

A técnica foi utilizada para analisar 196 imagens e foi bem-sucedida em 194 delas. Nas duas imagens em que o sistema errou, ele disse que não existia uma faixa de pedestres onde na verdade havia uma.

A pesquisa sobre o aparelho está sendo publicada na edição desta sexta-feira da revista Measurement Science and Technology, publicada pelo Instituto de Física da Grã-Bretanha.