16 de novembro, 2004 - 08h19 GMT (06h19 Brasília)
Lucas Mendes
De Nova York
Quando Alfred Kinsey morreu, em 1956, o rock'n'roll já estava nas eletrolas brasileiras e a revista Playboy debaixo das camas dos adolescentes.
Os famosos e chocantes Relatórios Kinsey sobre comportamento sexual tinham sido publicados em 1948, o dos homens, e em 1953, o das mulheres.
Nem o Paulo Francis, que lia tudo, tinha paciência para sexo com tanta ciência e números.
Ninguém naquela época sabia que Alfred Kinsey também mantinha relações sexuais com homens, inclusive da sua própria equipe, e tinha um lado masoquista acentuado.
Enfiava escovas de dentes no próprio pênis e, já com mais de 50 anos, fez a própria circuncisão sem anestesia, usando um canivete.
Se os americanos soubessem desses fatos na época da publicação dos relatórios, a obra provavelmente teria ido para o lixo, desacreditada.
Filme
As revelações vieram mais tarde, em duas biografias, quando algumas das constatações chocantes de Kinsey eram irrefutáveis e já tinham perdido o impacto. Entre elas, a de que 92% dos homens e 68% das mulheres se masturbavam.
As biografias não foram recordistas de vendas, não diminuíram a estatura de Kinsey, nem reativaram grandes polêmicas.
Mas o primeiro filme sobre a vida do cientista, lançado neste período de fervor evangélico republicano, vai trazê-lo de volta às mesas, escolas, igrejas e templos americanos.
O filme do diretor Bill Condon, com Liam Neeson no papel de Kinsey, estreou na sexta-feira passada.
Liberais e conservadores já estão se engalfinhando nas televisões e nas rádios.
Defensores de Kinsey acham que ele foi um gênio que tirou o país do obscurantismo e da repressão sexual.
Seus detratores acham que ele foi um depravado e é o responsável pela atual decadência dos valores morais.
Não percam o filme. É Hollywood no seu melhor comportamento.