12 de novembro, 2004 - 12h15 GMT (09h15 Brasília)
O jornal israelense Maariv relata nesta sexta-feira uma suposta "reunião tensa" que teria sido realizada em Paris, quando Yasser Arafat estava internado, entre lideranças palestinas e a viúva do presidente da Autoridade Palestina.
De acordo com o diário, a delegação palestina formada por entre outros, o atual presidente interino da OLP, Mahmoud Abbas, disse a Suha Arafat que os palestinos não darão a ela "paz e tranqüilidade" se ela não aceitar dividir a fortuna que Arafat teria guardada no exterior.
O jornal afirma que os líderes palestinos afirmaram que "o povo palestino não a perdoará pelo que ela está fazendo", levando a viúva às lágrimas. Suha Arafat teria dito que pretendia manter o mesmo padrão de vida que leva atualmente.
Segundo o Maariv, um dos líderes palestinos afirmou: "Nós permitiremos que você mantenha o mesmo padrão de vida, mas você deve assinar um acordo revelando os dados bancários e os investimentos feitos por seu marido e permitir que esses fundos sejam transferidos para a Autoridade Palestina".
Contrastes
Outro jornal israelense, o diário conservador Jerusalem Post, publica um editorial que compara Yasser Arafat a Osama Bin Laden.
De acordo com o jornal, Arafat foi o "padrinho do terrorismo internacional, que roubou milhões de dólares destinados a amainar o sofrimento de seu povo".
Já o diário Al-Watan, do Omã, afirma que "Israel é responsável pela morte de Arafat" e acrescenta que "aquele que envenenou a comida de Arafat, envenenou o próprio processo de paz".
O iraniano Al-Vefagh comenta que "Arafat será imortalizado pela história" e afirma ainda que "nem a hegemonia dos Estados Unidos nem a truculência de Israel derrubarão a vontade do povo palestino".
O jornal palestino Al-Ayyam afirma que, no futuro, o corpo de Arafat será transferido para Jerusalém, "quando os palestinos readquirirem seus direitos naturais".
Mais contrastes
Nos Estados Unidos, o jornal Washington Post destaca o contraste do tratamento dado à morte do líder palestino pelo governo americano e por líderes de outros países.
"Jacques Chirac, puxou o coro de estadistas mundiais que louvaram o líder palestino", afirma o jornal.
O diário lembra que o tom de louvação de lideranças mundiais é distinto do usado por GeorgeW. Bush, "para quem Arafat era um obstáculo à paz no Oriente Médio".
Outro jornal americano, o The New York Times, publica uma análise assinada pelo líder da Jordânia, o rei Abdullah 2º.
O monarca afirma que o processo de paz entre israelenses e palestinos dependerá agora do apoio "de uma América corajosa".
Abdullah diz ainda que a "guerra ao terror" não será vencida se árabes e governos ocidentais não agirem de forma conjunta.
Estrutura de poder
O diário francês Le Figaro trata da estrutura de poder dentro da Autoridade Palestina pós-Yasser Arafat.
Segundo o jornal, atualmente o cargo de presidente, interinamente exercido por Rahoui Fattouh, foi esvaziado e "é basicamente honorário, como queria a admnistração Bush".
De acordo com o Figaro, o ex-primeiro-ministro e atual presidente da OLP, Mahmoud Abbas, surge como o "novo homem forte" palestino.
Visita chinesa
Na Argentina, o jornal La Nación trata em editorial da "desmesurada expectativa" do governo com a visita do presidente chinês Hu Jintao ao país.
Autoridades argentinas haviam dito que o governo assinaria acordos na faixa de US$ 20 bilhões com a China.
Segundo o La Nación, o fato de mais tarde autoridades terem reconhecido que a cifra foi inflada "constituiu um episódio vergonhoso, que serviu para deixar claro a lamentável tendência argentina de acreditar em soluções mágicas".
Outra análise do jornal sobre o mesmo tema ironiza a postura das autoridades argentinas, que teriam apresentado a relação da Argentina com a China como um "romance" com tom folhetinesco.
O diárilo acrescenta que a história tem todos os elementos de um romance de sucesso, com "um amor impossível, em princípio, não correspondido", com uma das partes a "sair pelo mundo falando desse grande amor e outra desmentindo que seja algo tão grande".
"Como convém ao gênero, a história conta com um terceiro elemento de discórdia: o Brasil, que, por enquanto, parece ser o favorito da República Popular da China", conclui o La Nación.