11 de novembro, 2004 - 23h31 GMT (20h31 Brasília)
Edson Porto
enviado especial a Ramallah
Os brasileiros que vivem nos territórios ocupados também estão lamentando a morte do líder palestino Yasser Arafat, como o restante dos palestinos.
Um exemplo é a dona de casa Muna Abdel Hamid. Ela nasceu no Brasil e viveu no país até os 20 anos de idade.
Em uma visita à terra natal de sua família, em Ramallah, no início da década de 90, ela acabou conhecendo o marido. Depois de casar, Muna chegou a morar no Brasil, mas a família decidiu retornar a Ramallah para viver.
Ela diz que sofreu muito com a morte de Yasser Arafat. "Fiquei muito sentida. Gostava muito dele e acho que nunca teremos um presidente igual."
Comunidade
Segundo o embaixador Bernardo de Azevedo Brito, que comanda a representação brasileira em Ramallah, estima-se que a comunidade de brasileiros nos territórios ocupados gire em torno de 2 mil pessoas.
"Ainda não temos um censo nem detalhes sobre o perfil dessas pessoas, mas sabemos que é uma comunidade grande", diz o embaixador.
O Brasil abriu recentemente a representação na cidade, que é o centro do poder palestino.
De acordo com Brito, o governo brasileiro sempre teve um bom relacionamento com palestinos e israelenses e, por isso, deveria ter uma representação nas duas regiões.
Nacionalidade
No geral, a grande maioria dos brasileiros na região tem ascendência palestina ou é casado com palestinos.
Vários têm apenas a nacionalidade brasileira, já que não existe um Estado palestino.
Fadah Ihlal Thum se encaixa nesse perfil. Também nascida no Brasil, ela veio para Ramallah visitar a família. "Acabei ficando", diz ela, que está há três anos em Madra Al-Dharquia, uma cidade que fica na região de Ramallah.
Assim como Muna Hamid, a estudante brasileira afirma que ficou muito triste com a morte de Yasser Arafat.
"O povo aqui está sentindo como quando morre o pai", conta ela.
Muna diz que desde a manhã da quinta-feira, quando a morte do presidente foi anunciada, as pessoas da sua rua colocaram bandeiras pretas nas casas e que muitos jovens foram para o quartel-general de Arafat prestar sua homenagem.
Assim como outros palestinos que vivem nos territórios, Muna diz que não sabe como será o futuro sem Arafat. "Vamos ver como ficará agora. A expectativa é que tenhamos eleições."
No entanto, para a brasileira, ninguém vai conseguir substituir Yasser Arafat como o maior símbolo da causa palestina.