10 de novembro, 2004 - 13h09 GMT (10h09 Brasília)
Edson Porto
enviado especial a Ramallah
O principal líder religioso dos palestinos, o mufti Icram Al-Sabri, afirmou nesta quarta-feira, após uma visita ao quartel-general de Yasser Arafat em Ramallah, que o líder palestino tem o direito de ser enterrado em Jerusalém, caso venha a falecer.
"Todos os palestinos têm o direito de ser enterrados em Jerusalém, ainda mais o presidente Arafat", disse o clérigo palestino.
O mufti reforçou também que o líder palestino havia de fato manifestado o desejo de ser enterrado em Jerusalém quando morresse.
Ao comentar o atual estado de saúde de Arafat, o religioso disse que desligar os aparelhos que sustentam a vida do presidente da Autoridade Palestina seria contra os preceitos islâmicos.
"Enquanto houver vida em seu corpo e enquanto seu coração estiver batendo, não se pode desligar as máquinas. Essa é uma decisão para Alá."
Veto israelense
Autoridades de Israel disseram mais de uma vez que não permitirão o enterro de Arafat em Jerusalém. A cidade é dividida em setores árabe e isralense, mas é totalmente controlada por Israel.
Teme-se que divergências sobre o enterro de Arafat ainda possam gerar conflitos entre os dois povos.
No entanto, as afirmações das autoridades palestinas indicam que, em caso de morte de Arafat, a intenção seria enterrá-lo no seu quartel-general, em Ramallah.
Nesta quarta-feira, Israel concordou com o plano palestino de realizar o enterro de Yasser Arafat em Ramallah, e o Egito se ofereceu para organizar o velório no Cairo.