05 de novembro, 2004 - 19h26 GMT (16h26 Brasília)
Damian Grammaticas
de Moscou
A Rússia está enfrentando crescentes temores de que poderá ver sua população reduzida em 50 milhões de pessoas nos próximos 50 anos.
Desde o colapso da União Soviética, índices de natalidade e a expectativa de vida entre a população masculina sofrerem um forte declínio no país. Esse efeito é particularmente sentido nas áreas rurais, onde as populações locais ou estão morrendo aos poucos ou se mudando para cidades grandes.
Em dez anos, a população da Rússia caiu de 149 milhões de pessoas para 144 milhões, e a situação está se agravando. De acordo com a ONU, a Rússia pode perder mais 20 milhões de habitantes nos próximos 20 anos. As projeções mais negativas dão conta de que o número de habitantes do país pode atingir a marca de 100 milhões de pessoas até 2050.
Na década de 80, mulheres passaram a ter menos filhos, e taxas de de mortalidade entre os homens tiveram um aumento dramático. Os choques sociais causados pelo fim da União Soviética causaram pobreza e forte crise econômica.
Os russos também estão morrendo cada vez mais cedo, devido a problemas como alcoolismo e má alimentação, além de doenças como tuberculose e deficiências do sistema de saúde do país. Atualmente, a expectativa de vida média do homem russo é de 59 anos de idade.
Morrendo aos poucos
Milhares de tradicionais vilarejos russos estão morrendo aos poucos. Segundo o censo mais recente feito na Rússia, 13 mil dos 155 mil vilarejos russos foram inteiramente abandonados e outros 35 mil viram suas populações serem reduzidas para menos de dez habitantes.
Na região de Kostroma, situada a cinco horas de Moscou, o problema já atingiu proporções similares às de uma epidemia.
Kostroma integra a antiga e tradicional área central da Rússia. A região, farta em morros e vastas florestas, é atravessada pelo rio Volga. Há séculos, russos desbravaram as matas da região para lá montar suas fazendas.
Mas agora a vida está sendo varrida desta área. Isupovo é representativa dos problemas de Kostroma. Havia cerca de 30 famílias na vila. As casinhas de madeira dos moradores locais ocupavam morros inteiros, mas agora Vassily Bikov é o último remanescente da vila.
Ele conta que a cidade tinha tinha duas escolas, um correio e uma igreja. Agora, além de abandonadas todas essas construções e as casinhas de madeira estão ruindo.
Outros vilarejos também estão seguindo o caminho de Isupovo. É o caso de Runovskoye, que atualmente conta com pouco mais de dez habitantes - todos eles aposentados que são muito idosos para se mudar para uma cidade grande.
O local já abrigou uma fazenda coletiva durante a era do comunismo, mas atualmente o único reflexo desse passado são algumas poucas cabeças de gado.
As economias destes vilarejos já estavam em declínio desde o período do comunismo, mas o processo foi acelerado. A imigração em massa para as cidades grandes significa que apenas os idosos ficam para trás.
Em vilarejos como Isupovo a única coisa que restou foi um só homem e as suas memórias. Em breve, não haverá mais nada.