05 de novembro, 2004 - 16h30 GMT (13h30 Brasília)
Eric Brücher Camara
O embaixador brasileiro em Washington, Roberto Abdenur, disse nesta quinta-feira à BBC Brasil esperar que o segundo mandato de George W. Bush apresente uma redução no protecionismo comercial americano.
"O governo Bush tem uma postura básica pró-livre comércio. Infelizmente, o primeiro governo Bush aumentou os subsídios agrícolas e os casos de medidas protecionistas", afirmou Abdenur.
"Eu espero que no segundo mandato haja uma diminuição do protecionismo americano."
Essa mudança, no entanto, não deverá ser radical e deve se dar dentro dos processos de negociação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), segundo o embaixador.
"Acho que vai haver uma evolução natural nas conversas sobre a Alca, que ficaram paradas nos últimos três meses por causa, primeiro das negociações na OMC, e depois por causa das eleições nos Estados Unidos", prevê Abdenur.
Apesar de destacar a importância da Alca, o diplomata acredita que a prioridade brasileira nos próximos meses será completar as negociações na OMC.
Fatia pequena
Essas negociações comerciais ajudariam o Brasil a ganhar espaço no mercado consumidor americano, mas Abdenur reconhece que historicamente o governo e a iniciativa privada brasileiros não souberam tirar proveito das brechas tributárias que o mercado americano oferece em alguns setores.
"Há várias áreas em que as tarifas de importação americanas são extremamente baixas e até zero, mas nós não aproveitamos isso", explica o diplomata.
Para ele, essas são as razões principais para o Brasil deter uma fatia de apenas US$ 16 bilhões em um mercado de quase US$ 1,5 trilhão por ano.
"Eu acho lamentável que o Brasil tenha apenas 1% do mercado americano. Nós temos que fazer o nosso dever de casa e ganhar competitividade para sermos mais atuantes no maior mercado do mundo", disse Abdenur.
O embaixador também disse à BBC Brasil que o país "não está preocupado" com possíveis mudanças na cúpula de Bush.
Um dos nomes que vem sendo citado como possível baixa no segundo mandato de Bush é o representante para o Comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick.
Zoellick e o ministro brasileiro do Exterior, Celso Amorim, chegaram a trocar farpas em várias ocasiões, embora em outras tenham tentado também demonstrar um bom relacionamento.
Abdenur afirma que qualquer que seja o substituto de Zoellick, as negociações comerciais não devem sofrer abalos.
"Claro que a questão individual faz diferença, mas tenho certeza de que vamos conversar bem", completou Abdenur.