04 de novembro, 2004 - 12h30 GMT (09h30 Brasília)
Os democratas, deprimidos, esperam mais quatro anos de guerra, terror, déficit, de religião, política, caça aos gays, poluição, menos impostos para as empresas e para os ricos, menos verba para o social e um Judiciário radical.
Os republicanos, eufóricos, antecipam mais firmeza no Iraque, menos terror, mais legitimidade em casa, menos obstáculos no congresso, menos abortos, mais valores morais, menos ONU e pressões internacionais.
Tremenda vitória. Desde 1988, quando ganhou o pai Bush, um presidente americano não tinha mais de 50% dos votos e desde 1933 um partido não controlava a Câmara durante 12 anos seguidos.
No fim das contas, a maioria das pesquisas estavam certas. Hoje podemos confiar nelas e elas nos dizem que Bush ganhou apesar do Iraque e da economia.
A maioria dos próprios republicanos reconhecem que a guerra vai mal e a economia também mas votaram em George Bush porque ele inspira neles mais confiança como líder do que o democrata.
O senador Kerry apelou para os novos eleitores e mobilizou a máquina para registrar milhões de jovens. A grande maioria deles apoiava o senador com grande margem, mas só 10% votaram.
Os democratas gostam de Kerry, os republicam adoram Bush. O presidente concentrou o apelo dele na base republicana. Seus fiéis saíram de casa para votar nele, contra o casamento gay e a favor de outros valores conservadores que ele reprenta.
Os republicanos além da Casa Branca, ganharam maior controle da Câmara e do Senado. George Bush não precisa dos democratas para governar, mas está diante de um país machucado, rancoroso e dividido.
Só ele pode desfazer o rancor e unir os americanos como tinha prometido quando foi eleito pela primeira vez. Qual será o Bush dos proximos quatro anos?