28 de outubro, 2004 - 22h38 GMT (19h38 Brasília)
Milhares de pessoas correram na manhã desta quinta-feira a 1.663 casas de câmbio em Cuba para trocar seus dólares por pesos conversíveis, que passarão a vigorar no país a partir de 8 de novembro.
Em cada uma das casas de câmbio visitadas pelo repórter da BBC Fernando Ravsberg foram encontradas de 50 a 100 pessoas esperando a hora da abertura para fazer a troca, antes que se acabem os pesos.
O governo abriu as casas de câmbio com 16 mil pesos em cada uma, quantidade que não será reposta, porque elas vão fechar as portas quando acabar o dinheiro.
Algumas das pessoas entrevistadas pela BBC se mostraram dispostas a trocar todos os seus dólares.
A decisão de proibir transações em dólares em Cuba foi anunciada pelo presidente do país, Fidel Castro, como uma resposta ao embargo americano.
Imposto
"Vou trocar o que tenho. Se eu deixo, me aplicam impostos depois", disse Magali Riverón.
![]() Cuba troca seus dólares por pesos conversíveis |
Outros se mostraram mais desconfiados. "Vou trocar uma parte e o resto deixo para depois, quando fizer falta", disse Manuel Garía, que afirmou que vai manter seus dólares mesmo que tenha que pagar os 10% de imposto anunciados pelo governo.
Agora, falta ver se a maioria das pessoas está trocando dinheiro para seus gastos diários ou se vão passar todas as suas economias para peso.
Mas há quem tenha descoberto outras opções, como é o caso de Emílio Angulo.
"É possível que no futuro me decida a guardar euros", disse.
Ele pode ter razão, se levar em consideração que o ministro do Turismo, Manuel Marrero, disse em uma entrevista coletiva que o governo trataria de estender o uso do euro por todo o país.
Atualmente, o euro já é utilizado como moeda em vários pontos turísticos cubanos.
'Desespero'
Os Estados Unidos disseram que a medida representa "desepero econômico" de Cuba.
Os pesos conversíveis, cotados a um por um em relação ao dólar, estarão disponíveis apenas em Cuba.
Um outro repórter da BBC em Havana, Stephen Gibbs, afirma que a medida vai permitir que o governo tenha mais controle sobre as centenas de milhões de dólares trazidos todos os anos por turistas ou enviados do exterior por cubanos exilados.