13 de outubro, 2004 - 11h57 GMT (08h57 Brasília)
Andrew North
de Cabul
Um grande rival político do presidente interino do Afeganistão, Hamid Karzai, abandonou um boicote às eleições do sábado passado.
O general Abdul Rashid Dostum, um comandante de milícia, disse agora que vai apoiar uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre queixas relativas à votação.
O general Dostum foi um dos 15 candidatos a proporem o boicote.
A iniciativa ofuscou o que está sendo visto, de maneira geral, como o grande sucesso que foram as primeiras eleições realizadas no Afeganistão.
O último desafiante
Os candidatos propuseram o boicote depois que surgiram problemas com a tinta indelével que tinha o objetivo de impedir fraude.
Mas a iniciativa não se sustentou no domingo.
O momento-chave ocorreu quando Yunus Qanuni, o rival mais importante do presidente Karzai, recuou, dizendo que queria uma investigação da ONU sobre suas preocupações com a eleição.
As autoridades esperam que a apuração dos votos comece nesta quarta-feira.
O general Dostum, da etina uzbeque e veterano de muitas guerras no país, é o último grande desafiante de Karzai a mudar de posição.
Mas seu porta-voz diz que ainda vai apresentar queixa sobre a forma como o pleito de sábado foi conduzido, apesar de perder o prazo para a apresentação de reclamações.
Desde as eleições de sábado, candidatos como o general Dostum estiveram sob intensa pressão para abandonar o boicote.
As negociações envolveram diplomatas ocidentais, assim como personalidades afegãs.
Mas muitos acreditam que outro fator para a mudança de posição dos rivais de Karzai é a irritação generalizada dos afegãos no que viram como a obstução de alguns candidatos ao processo popular para ganhos políticos no curto-prazo.