13 de outubro, 2004 - 01h05 GMT (22h05 Brasília)
O ex-chefe dos inspetores de armas da ONU (Organização das Nações Unidas) Hans Blix disse à BBC que o desaparecimento de material que estava em instalações nucleares do Iraque depois da invasão americana é “escandaloso”.
“Nós não sabemos para onde (esse material) foi”, disse Blix. “Eu acho que é um tanto escandaloso que isso estava lá durante uma ocupação. (Que) estava lá, sob controle, quando as inspeções (da ONU) estavam sendo feitas. Mas (que), quando vem a ocupação, desaparece.”
Os comentários foram feitos depois de o governo do Iraque ter anunciado que convidou a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) a voltar ao país para investigar o desaparecimento do material.
No dia anterior, o diretor da AIEA, Mohamed El-Baradei, havia enviado uma carta à ONU falando de sua preocupação com o desaparecimento de material e equipamento nuclear do Iraque.
Questões sem resposta
“Alguém poderia dizer: olha, as coisas estavam sob controle no Iraque quando os inspetores estavam lá”, disse Blix, se referindo ao período anterior à ofensiva liderada pelos Estados Unidos, iniciada em março do ano passado.
“Todas essas coisas (material nuclear) estavam etiquetadas e haviam sido vistas pelos inspetores, e então vêm os Estados Unidos com 200 mil pessoas e ocupam o país para, declaradamente, cuidar das armas de destruição em massa, e eles perdem controle, e os instrumentos e o equipamento que poderia ser útil na produção nuclear desaparecem.”
Os Estados Unidos manifestaram preocupação com o desaparecimento do material do Iraque.
“É um problema que ocorreu logo depois da guerra, que nós achamos que foi controlado”, disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Richard Boucher.
“Quanto material foi (que desapareceu), que tipo de equipamentos eram e onde foi parar, nós sabemos em alguns casos, não completamente.”
Os Estados Unidos admitem que houve caos depois da invasão do Iraque, com material sendo roubado e exportado do país sem controle.
Mas, desde então, as autoridades americanas alegam ter trabalhado com os iraquianos para desenvolver formas de evitar a venda de tecnologia bélica.
Boucher destacou que pelo menos duas vezes desde a ofensiva liderada pelos Estados Unidos os fiscais da AIEA foram autorizados a vistoriar Tuwaitha, a principal instalação nuclear iraquiana.