12 de outubro, 2004 - 10h22 GMT (07h22 Brasília)
Você não precisa ter muita sensibilidade política para perceber que existe uma certa simpatia pelo senador John Kerry na chamada grande imprensa da costa leste americana – o New York Times, o Washington Post, as revistas, as grandes redes de TV e a CNN.
As exceções são a rede Fox, o New York Post e a página editorial do Wall Street Journal, mais simpáticos ao presidente Bush.
A rede CBS ainda não se recuperou do vexame dos memorandos falsos sobre o serviço militar do presidente Bush. O jornalismo da rede pode sair da fossa mas seu âncora, Dan Rather, talvez se aposente com uma mancha em uma carreira brilhante.
Agora é a rede ABC que está debaixo de fogo cerrado dos republicanos por causa de um memorando interno do diretor político dos telejornais, Mark Halperin. Em essência, o memo, dirigido aos principais editores, afirma que os dois candidatos distorcem a verdade, mas que o presidente Bush distorce muito mais, e suas declarações merecem um escrutínio mais rigoroso.
Bush pode não ter muitos amigos na grande imprensa da costa leste, mas fora daqui os republicanos parecem mandar e desmandar.
Documentário anti-Kerry
A rede Sinclair Broadcasting, dona de 62 estacões de televisão, anunciou que vai colocar no ar um documentário devastador sobre o senador Kerry pelas suas supostas atividades contra a guerra do Vietnã.
O documentário tem um título que pode ser traduzido como “Honra roubada: Feridas que nunca cicatrizam”. O filme insinuaria que o senador deu munição aos inimigos e desmoralizou as forças americanas.
Irá ao ar em horário nobre em alguns dos Estados onde a disputa está mais acirrada: Flórida, Ohio, Wisnconsin, Nevada e Pensilvânia.
Em termos de conteúdo, não oferece nada de novo mas é um requentado bem mais apimentado.
Comparado com o que vem por aí, o que vimos até agora foi tiro de chumbinho de ar comprimido.