06 de outubro, 2004 - 13h17 GMT (10h17 Brasília)
Daniela Fernandes
de Paris
O sucesso editorial O Código Da Vinci, que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares no mundo, se tornou também um fenômeno turístico em Paris.
Uma das modas na cidade agora é visitar os lugares mencionados no livro do norte-americano Dan Brown.
Algumas agências oferecem passeios no Louvre e em outros locais descritos em O Código Da Vinci por 110 euros (cerca de R$ 400).
O percurso turístico-literário se inicia normalmente na ala Dénon do museu do Louvre, onde está o quadro da Mona Lisa, pintado pelo italiano Leonardo da Vinci no início do século 16.
A mulher de sorriso enigmático sempre atraiu milhões de visitantes ao museu, mas, desde o lançamento de O Código Da Vinci, ela se tornou ainda mais popular.
Até mesmo os parisienses que já haviam visto o quadro retornam ao Louvre para observá-lo de perto e verificar as informações contidas no livro.
Papel central
A Mona Lisa tem um papel central na trama. De acordo com a obra de Dan Brown, o pintor Leonardo da Vinci seria um dos membros da seita secreta Priorado de Sião, detentora do segredo de que Jesus teria se casado com Maria Madalena e tido filhos. Os descendentes de Jesus, segundo o livro, viveriam até hoje na França.
Leonardo da Vinci teria deixado vazar o segredo, colocando em suas telas pistas do papel que Maria Madalena teria realmente tido na religião católica.
O Código Da Vinci, que questiona a divindade de Jesus, começa justamente com um assassinato no museu do Louvre. O passeio continua pela pirâmide do Louvre, que teria, segundo o livro, 666 placas de vidro, o número do diabo.
Esse número teria sido um pedido expresso do ex-presidente François Mitterrand, que mandou construir a pirâmide.
Por causa da polêmica em relação às informções do livro, o arquiteto sino-americano responsável pelo projeto, Pei, teve de declarar recentemente que a pirâmide tem "menos de 700 placas de vidro", mas não deu seu número exato.
Saint-Sulpice
Depois de passar pelo Louvre, os turistas atravessam para a margem esquerda do rio Sena, onde se situa outro monumento importante no livro: a igreja Saint-Sulpice, que teria sido o quartel-general da seita Priorado de Sião.
Seus membros detinham o segredo de que Jesus teria sido um "mero" mortal e que sua santidade foi construída ao longo dos séculos para justificar o poder da Igreja Católica.
Desde o lançamento do livro, a igreja de estilo romano, fundada no século 12, passou a receber muito mais visitantes: 20 mil apenas neste último verão francês.
O pároco da igreja de Saint-Sulpice teve de colocar um cartaz para explicar aos leitores que as informações do livro em relação ao local são falsas.
"A linha meridiana em latão que atravessa o solo da igreja não é o vestígio de um templo pagão", diz o cartaz. "Contrariamente às alegações fantasiosas de um romance, ela nunca foi chamada de linha rosa e não coincide com o meridiano do Observatório de Paris. A única maneira de dar um sentido religioso a esse instrumento de astronomia é reconhecer em Deus o Criador e o Senhor do Tempo".
Escrita em inglês e francês, a placa diz ainda que "as letras P e S nas duas janelas circulares, situadas nas duas extremidades do transepto, se referem a São Pedro e São Sulpice, que são os dois padroeiros da igreja, e não a um Priorado de Sião perfeitamente imaginário". Muitos turistas fotografam e filmam a placa.
'Fascinante'
Em apenas alguns minutos ao lado desse cartaz, situado onde está o obelisco, o chamado "Gnomon Astronomique", de onde sai a linha meridiana em latão que atravessa o solo da Saint-Sulpice, a reportagem da BBC Brasil encontrou alguns desses turistas.
A americana Katie Waiter viaja com um grupo de amigos pela Europa e aproveitou para visitar os locais mencionados no Código Da Vinci. Após ter conhecido a Abadia de Westminster e a National Gallery, em Londres, ela veio a Paris.
"Nunca tinha ouvido falar na linha rosa e ver esse meridiano na igreja é fascinante", diz ela. "Mesmo que as informações não sejam verdadeiras, como alegam os padres da Saint-Sulpice nesse cartaz, isso não tira o prazer de descobrir o monumento", diz ela.
"Estamos nos divertindo com a visita desses lugares descritos em O Código da Vinci", diz ela. Depois de Paris, Katie irá a Milão ver A Última Ceia, de Leonardo da Vinci. "Viríamos para a Europa de férias, mas é certo que grande parte do nosso roteiro foi fixado em razão do livro", afirma.
Como no Brasil, O Código da Vinci também é sucesso de vendas na França. Mais de 500 mil exemplares já foram vendidos no país desde seu lançamento, em abril.