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05 de outubro, 2004 - 19h48 GMT (16h48 Brasília)

Andrew North
de Cabul

Mulheres afegãs 'são ameaçadas' para não votar

Poucas mulheres se registraram para votar na eleição deste sábado, no Afeganistão, em função das ameaças feitas por homens em lugares onde o regime Talebã ainda está ativo.

O alerta foi lançado pela organização internacional de defesa de direitos humanos Human Rights Watch, baseada nos Estados Unidos.

O relatório diz que até mesmo funcionários que trabalham na campanha receberam ameaças de morte por terem apontado o problema com as eleitoras femininas.

Mais de 40% dos 10,5 milhões de eleitores afegãos são mulheres, mas, segundo a Human Rights Watch, poucas deverão comparecer para votar.

O governo americano, no entanto, afirma que os direitos das mulheres no Afeganistão melhoraram após o regime Talebã ter sido removido em 2001.

Questão sensível

O levantamento da Human Rights Watch destaca instâncias onde funcionários eleitorais foram intimidados e receberam ameaças de morte por terem abordado questões de direitos das mulheres, como, por exemplo, tornar o divórcio mais fácil para elas.

A questão continua altamente sensível e a maioria dos candidatos, incluindo o presidente Hamid Karzai, fez de tudo para evitá-la.

Não há dúvida de que a vida das mulheres afegãs melhorou com a retirada do Talebã e suas duras restrições.

Agora, mais de um milhão de meninas estão na escola e muitas estão trabalhando. Tudo isso com base na nova Constituição, que garantiu a elas os mesmo direitos dos homens.

Mas, para muitas mulheres, as coisas quase não mudaram. Muitas ainda são proibidas por suas famílias de trabalhar e outras sofrem de violência nas mãos de seus maridos e outros parentes.

Com muita freqüência, as autoridades são incapazes ou não têm disposição para protegê-las por causa de atitudes sociais profundamente enraizadas.

A ministra dos Direitos das Mulheres do Afeganistão, Habiba Sarabi, diz que leis mais fortes não são suficientes.

"Educação também é muito, muito importante. É algo fundamental. Mudando as atitudes dos homens, antes do que das mulheres, porque esse é um país dominado por homens e eles deveriam mudar suas opiniões em relação às mulheres", disse Habiba.