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05 de outubro, 2004 - 12h01 GMT (09h01 Brasília)

O bom é o mau

Um paulista chegou numa rinha de galos em Minas e perguntou ao jeca: "Qual é o bom?". "É o branco", respondeu o mineiro. O paulista apostou pesado no branco, que foi destruído em segundos pelo galo preto.

Furioso, foi tomar satisfações com o jeca. "O senhor perguntou qual era o bom e eu respondi", disse o mineiro. "O mau, o estraçalhador, é o galo preto."

Este debate entre segundos tem tudo para ser de primeira. A rinha está quente com a vitória do senador no primeiro debate e a urgência de vingança dos republicanos.

Na política americana, cabe aos vices ou candidatos a vice bater sem pena nos adversários do chefe. Mas há exceções. No debate de 2000 entre o vice-presidente Cheney e o senador Lieberman houve troca de confetes.

Sorriso e cabelos

Hoje vai ser diferente. O vice-presidente tem tratado adversários na base do palavrão e chegou a mandar um senador para aquele lugar.

A dureza, a falta de cabelo e de humor são marcas registradas do vice republicano.

O senador democrata John Edwards poderia fazer comerciais de dentifrício e xampu. Tem um sorriso campeão e cabelo de Hollywood, mas ganhou a vida destruindo adversários nas rinhas dos tribunais.

Não se pode confiar no sorriso e no cabelo numa briga destas e o senador está levando outras armas e defesas. Ele sabe que o calibre mais grosso do ataque do vice-presidente vai ser contra o senador Kerry, que passou à frente do presidente em algumas pesquisas.

Dick Cheney vai falar na falta de preparo do jovem senador para ser presidente e abrir fogo sobre as posições de John Kerry no Iraque e terror. Vai bater no flip flop.

Além de defender o patrão, o senador Edwards vai lembrar algumas contradições do próprio vice-presidente Cheney na questão do Iraque.

Num discurso em 1992, em Seattle, Dick Cheney, então secretário de Defesa do Bush pai, alertou sobre o perigo de ficar atolado no Iraque e elogiou a sábia decisão de não invadir Bagdá para capturar Saddam Hussein. Isso foi na primeira guerra.

No debate presidencial, apostei no empate e deu Kerry. Hoje vou apostar no galo preto.