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30 de setembro, 2004 - 15h14 GMT (12h14 Brasília)

Paulo Cabral
de Washington

Brasil está 'pronto para crescer mais', diz FMI

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, disse que a economia brasileira está "pronta para crescer mais" do que os 4% previstos pela instituição para este ano.

Apesar de o FMI ter revisado em 0,5 ponto porcentual para cima as estimativas de crescimento do Brasil, o país continua a estar entre os com expansão mais lenta entre os emergentes. Para o ano que vem, a expectativa do Fundo é de um crescimento de 3,5%.

"A econômica brasileira está tendo um desempenho melhor do que nós esperávamos. O ambiente econômico e político está ajudando muito o país", disse De Rato, na entrevista coletiva de apresentação da reunião anual do FMI e do Banco Mundial, que acontece durante esta semana, em Washington.

"É visível e bem claro para nós que a economia brasileira está preparada para crescer mais. O governo brasileiro está fazendo um trabalho muito bom para atingir isso", disse De Rato.

Reformas

O diretor-gerente do FMI disse que o Brasil está avançando em reformas importantes para facilitar o crescimento.

"Percebemos o alcance de muitas reformas, como a do setor bancário, para reduzir os spreads (diferença entre a taxa de aplicação e de captação dos bancos) e assim flexibilizar o orçamento e (também observamos reformas) em outras áreas como nas leis trabalhistas e no comércio internacional", disse De Rato.

Ele afirmou que o governo brasileiro conseguiu promover "confiança e estabilidade macroeconômica".

"É necessário que o governo não perca este momento e aproveite o fôlego para que as reformas avancem."

Reunião

Rodrigo de Rato disse que a reunião do FMI e do Banco Mundial esta semana tem como principais temas o fortalecimento da economia mundial contra crises, a discussão do atual panorama econômico internacional e a ajuda aos países mais pobres do mundo.

"Nossa avaliação é que o mundo está passando por um momento positivo. Estamos prevendo um crescimento da economia global de 5% este ano e uma ligeira desaceleração para 4,4% no ano que vem", explicou.

O diretor-gerente do FMI diz que o recado da instituição - tanto para países industrializados quanto para aqueles em desenvolvimento - é que o bom momento tem de ser aproveitado para o aprofundamento de reformas que fortaleçam a economia mundial.

Entre os países ricos, uma das grandes preocupações atuais dos analistas é com o déficit nas contas americanas.

De Rato, no entanto, observa que embora o problema seja sério, seus efeitos não devem ser sentidos no curto prazo.

"Os Estados Unidos ainda têm uma relação dívida PIB inferior a de muitos países. A dívida americana é uma questão que tem de ser enfrentada no médio prazo, mas que não deve provocar problemas no curto prazo."