28 de setembro, 2004 - 12h57 GMT (09h57 Brasília)
Guilherme Aquino
em Milão
Depois de acertar em cheio com a contratação do meia Kaká, o time italiano do Milan decidiu apostar agora no seu irmão, o zagueiro Digão.
Ele chegou à Itália em fevereiro e, desde o mês passado, é o dono de uma das vagas de titular na zaga do Milan Primavera, o estágio imediatamente anterior à equipe profissional.
Seu plano é um dia entrar em campo ao lado de Kaká vestindo a camisa dos gigantes milaneses. E ele diz que não teme a pressão criada pelo fato de ser irmão de um dos astros em ascensão do futebol mundial.
“Acho natural que a cobrança exista”, afirma o zagueiro. “Ela funciona também como um incentivo.”
Aprendizado
Rodrigo Izecson dos Santos Leite tem 19 anos, mede 1,93 m e foi o criador do apelido de Kaká – quando era pequeno, não conseguia pronunciar direito o nome do irmão Ricardo.
Agora, Digão troca figurinhas com Kaká a fim de aprender os segredos do calcio.
“Ele me diz como os atacantes se movimentam, e eu explico a ele como os zagueiros se comportam”, diz Digão.
“Quando cheguei, eu era ainda muito verde para o futebol italiano e tive que aprender muitas coisas.”
Ele conta, por exemplo, que, quando começa o jogo, a ordem dos treinadores é não dar espaço “de jeito nenhum”.
“Quando você pega a bola, já tem um te marcando e outro na sobra. Eles chegam duro, e você tem que chegar assim também.”
Modelos
Modelos para desenvolver seu aprendizado certamente não faltam na forte equipe milanesa, onde militam três dos mais conceituados zagueiros da atualidade: os italianos Maldini e Nesta e o holandês Jaap Stam.
“Eles são foras-de-série, mas o Maldini é especial, pois além de ser um grande jogador é um campeão”, disse Digão.
“No Brasil, gosto do Lúcio, que tem uma boa forma física, e do Edmílson, que é um pouco diferente, mais técnico, joga mais com a cabeça.”
Na Itália, é normal que times grandes contratem jogadores promissores e depois os emprestem para equipes menores a fim de que ganhem experiência.
Mas Digão desde já diz que não espera jogar contra o irmão, mas sim ao lado dele.
“O meu pensamento é sempre jogar no Milan”, afirmou o zagueiro.
“Se eu tiver que sair para jogar em clubes da série C ou B, não tem problema, acho que seria fundamental para o meu amadurecimento, mas sempre pensando em voltar para o Milan.”
Adaptação
O zagueiro diz que não encontrou dificuldades para se adaptar à vida no novo país.
Ele já dirige por Milão, fala bem a língua italiana e vive com os pais nas redondezas do estádio de San Siro.
Ele diz que nem o fato de estar sem namorada é um problema.
“Estou contentíssimo aqui. Acho Milão parecida com São Paulo. Tem tudo, bons restaurantes e cinemas.”