28 de setembro, 2004 - 08h59 GMT (05h59 Brasília)
Robert Piggott
A Igreja Católica da Espanha comparou os planos do governo do país de legalizar o casamento entre homossexuais à difusão de um vírus na sociedade.
“Seria como impor à sociedade um vírus, algo falso, que terá conseqüências negativas para a vida social”, afirmou o porta-voz da Igreja espanhola Juan Antonio Martinez Camino.
O governo espanhol espera que a nova lei esteja em vigor já a partir do ano que vem.
A legislação ressalta o forte declínio da autoridade da Igreja na Europa Ocidental, especialmente na Espanha, que costumava ser um dos países mais devotos do continente.
Divórcio e aborto
O primeiro-ministro José Luís Zapatero tomou posse em abril expressando a intenção de remover o que chamou de inegáveis vantagens da Igreja no país.
Ele também propôs a implementação de um processo de divórcio mais simples e o relaxamento das leis sobre aborto.
As mudanças vêm incomodando a Igreja, cuja influência sobre os espanhóis tem declinado desde a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.
O regime de Franco possuía íntimas ligações com a Igreja.
Pesquisas de opinião hoje indicam que metade dos espanhóis quase nunca vai à missa.