28 de setembro, 2004 - 18h04 GMT (15h04 Brasília)
Paulo Cabral
de Washington
O Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento, divulgado hoje pelo do Banco Mundial, indica que a África e a América Latina continuam sendo as regiões do mundo com mais limitações aos investimentos e ao desenvolvimento.
O vice-presidente sênior e economista chefe do banco, François Bourguignon, disse em uma entrevista coletiva que as empresas ainda encontram dificuldades para fazerem negócios na maioria dos países nestas regiões.
Mas Bourguignon disse que a situação está melhorando, principalmente na América Latina.
“À medida em que os governos da região avanças nas reformas macroeconômicas, o clima para investimentos também melhora”, disse o economista.
Brasil
“Clima para Investimentos” é o tema do relatório do Banco Mundial este ano.
O documento foi o primeiro de uma série de estudos e estimativas que vão ser divulgados durante esta semana, em que acontece em Washington a reunião anual do Banco Mundial e do FMI.
Bourguignon disse que “muitas empresas ainda acreditam que fazer negócios no Brasil é difícil.”
“Nem todos os países latino-americanos têm de ser assim. O Chile, por exemplo, fez grandes avanços nos últimos tempos.”, diz Bourguignon.
O Chile, no entanto, não está entre os 53 países pesquisados e portanto não é possível compará-lo com o Brasil neste estudo.
Comparações
Mas na comparação com outros países importantes, como a China e a Índia, o Brasil tem desempenho fraco.
“Os ganhos conseguidos na China e na Índia, e também em Uganda, mostram que melhoras expressivas podem ser conseguidas se houver um foco nos principais problemas afetando o clima de investimentos, em vez de esforços difusos em várias áreas”, disse Bourguignon.
Entra as companhias instaladas no Brasil, 84,5% citam os altos impostos como um grande problema, porcentual bem mais alto do que na China (36,8%) e na Índia (27,9%).
O acesso ao crédito é um problema sério para 71,7% das empresas no Brasil, para 22,3% daquelas na China e para 19,2% das empresas na Índia.
Crédito rural
O principal autor do estudo, Warrick Smith, disse que o Banco examinou os programas de crédito rural do Brasil e que a grande maioria dos financiamentos vai para empresas de grande porte.
“No crédito rural brasileiro, 57% dos recursos são destrinados apenas a 2% das empresas, de maior porte. As 75% menores empresas ficam apenas com 6% dos financiamentos”, disse Simith.
Mas o economista criticou o método chinês que incluiu empréstimos subsidiados e direcionamento estatal dos investimentos privados.
“Primeiro é importante lembrar que o sistema financeiro chinês tem muitos problemas. Os Estados que experimentaram este tipo de intervenção no sistema financeiro perceberam que ela não tem bons resultados.”
As preocupações com a legislação trabalhista e com as incertezas políticas também são bem maiores no Brasil (acima de 70%) do que na China (cerca de 30%) e na Índia (cerca de 20%).