27 de setembro, 2004 - 22h45 GMT (19h45 Brasília)
Alexandre Mata Tortoriello
De São Paulo
O Ministério da Saúde divulgou nesta segunda-feira uma nota em que afirma que está investigando as suspeitas de que lotes de hemoderivados importados da Grã-Bretanha, contaminados com o vírus que causa o mal da Vaca Louca, teriam entrado no Brasil.
O ministério estava se referindo à reportagem, divulgada pelo jornal britânico The Times, que informou que a Grã-Bretanha exportou para 11 países, no final da década de 90, sangue que poderia estar contaminado.
Segundo o comunicado, a embaixada britânica informou à Coordenação de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde que um produto exportado pela empresa inglesa Bio Products Laboratory em novembro de 1995, o Replenine VF 500 (fator IX), foi preparado com plasma sangüíneo obtido de doadores que, posteriormente, desenvolveram o mal da vaca louca.
Mas um levantamento feito pela mesma coordenação indicou que o primeiro lote do produto suspeito foi importado pelo Ministério da Saúde só em 1999.
Investigações
“Como medida preventiva em relação à contaminação de hemoderivados com o vírus (...), desde 1998, ano marcado pelo surgimento do Mal da Vaca Louca na Inglaterra, o Brasil compra hemoderivados desse país com restrição de doadores”, diz a nota.
“Isso implica que o Brasil só importa hemoderivados ingleses se, comprovadamente, forem produzidos a partir de plasma importado dos Estados Unidos e outras nações.”
O Ministério da Saúde salientou que, até o momento, “não há nenhuma evidência de que os lotes contaminados tenham entrado no Brasil” e que está “desenvolvendo investigação” para determinar se o lote suspeito teria entrado no país de alguma outra forma, além da importação pelo Ministério da Saúde.
Em uma investigação paralela, o Ministério anunciou que está averigüando se lotes de um outro produto suspeito, o Vigam (Imunoglobulina) também poderiam ter entrado no Brasil.
Tal produto, ao contrário do Replenine VF 500, é comprado diretamente pelos Estados, que depois são ressarcidos pelo Ministério da Saúde.