24 de setembro, 2004 - 05h50 GMT (02h50 Brasília)
Paulo Cabral
de Washington
A vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, classificou de “apropriada” a política monetária adotada pelo Banco Central, que aumentou a taxa de juros básica brasileira.
“O Banco Central foi apropriadamente cuidadoso na condução da política monetária, face ao aumento na inflação e nas expectativas inflacionárias. Isso deve ajudar a levar de inflação de volta aos níveis das metas estabelecidas pelo governo”, avaliou.
Os comentários de Krueger foram divulgados depois da conclusão da 8ª revisão do acordo com o FMI. A revisão permite que o Brasil saque mais US$ 1,3 bilhão do pacote total de US$ 40 bilhões.
“Mas autoridades brasileiras já indicaram que não querem mais recursos e que isto está sendo tratado como pracaução e estratégia de saída do acordo com o fundo”, notou Krueger.
A vice-diretora-gerente do FMI apresentou uma visão otimista da economia brasileira, dizendo que a recuperação econômica se ampliou e ganhou impulso.
Mercado interno
Krueger observou que “embora as exportações continuem sendo importante fonte de crescimento, o consumo e o investimento internos se tornaram os principais condutores” da recuperacão econômica.
Ela também observou que a política fiscal brasileira continua “prudente” para garantir que relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto vai continuar melhorando.
Nesta quarta-feira, o governo brasileiro aumentou a meta de superávit fiscal para este ano em 0,25 ponto porcentual.
Questionado sobre o assunto na manhã de quinta-feira, o diretor de relações externas do FMI, Thomas Dawson, disse que as autoridades brasileiras “têm uma noção sólida do que precisa ser feito”.
“Esta atitude está sendo recompensada não só com o crescimento e ampliação da recuperação da economia brasileira, mas também com o fortalecimento da moeda e a melhora nos juros pagos pelos papéis brasileiros”, disse Dawson.
Reformas
Anne Krueger disse que o ritmo do crescimento no Brasil vai depender do aprofundamento das reformas estruturais.
“O Brasil tem de aproveitar a oportunidade dada pelo ambiente econômico favorável. Maior flexibilidade orçamentária iria facilitar o aumento de recursos para investimentos públicos, para programas sociais e outras prioridades do governo”, disse a diretora.
O governo brasileiro está propondo ao FMI mudanças nas regras de cálculo da instituição para permitir que países participando de programas do fundo possam gastar mais dinheiro em infra-estrutura e investimentos produtivos.