23 de setembro, 2004 - 22h06 GMT (19h06 Brasília)
Uma equipe internacional de cientistas observou uma colisão frontal de dois conjuntos de galáxias e descreveu o fenômeno como uma "tempestade cósmica perfeita".
O choque, nunca antes visto e registrado a partir do satélite XXM-Newton da Agência Espacial Européia (ESA, na sigla em inglês), envolveu milhares de galáxias e trilhões de estrelas.
Segundo um comunicado da ESA, trata-se de "um dos acontecimentos mais poderosos já testemunhados". "Colisões como essas perdem apenas para o Big Bang no total de energia liberada", afirma o texto.
Os dois conjuntos se chocam como se fossem duas frentes climáticas de alta pressão e as galáxias são desviadas de seus caminhos, o que cria "condições semelhantes às dos furacões", de acordo com o comunicado.
Maior objeto
"Vimos aqui, diante de nossos olhos, a formação de um dos maiores objetos do universo", declarou Patrick Henry, da Universidade do Havaí, que comandou o estudo.
"O que antes eram dois conjuntos de galáxias distintos e menores há 300 milhões de anos, agora é um enorme conjunto tumultuado."
A observação, segundo os especialistas da ESA, confirma a teoria de que o universo "teve a sua estrutura hierárquica construída de baixo para cima".
Ou seja, a partir da fusão de galáxias e conjuntos de galáxias menores, que passaram a formar conjuntos maiores.
Os resultados da observação serão publicados na próxima edição do Astrophysical Journal.
Um dos conjuntos de galáxias vistos na colisão se chama Abell 754 e está relativamente próximo da Terra ("apenas" 800 milhões de anos-luz de distância).
O Abell 754 já era conhecido pelos astrônomos, que foram surpreendidos ao observar um choque com outro conjunto de galáxias a partir da direção oposta que se imaginava que aconteceria.