20 de setembro, 2004 - 17h44 GMT (14h44 Brasília)
Paulo Cabral
enviado especial a Nova York
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, na sede da ONU, em Nova York, que apenas a promoção da justiça social vai garantir a "segurança coletiva" no mundo.
"Precisamos globalizar os valores da democracia, do desenvolvimento e da justiça social para dar resposta ao preocupante déficit de governança mundial", disse Lula.
"São esses os valores que contribuirão para dar outro sentido à segurança coletiva, reduzindo a ameaça do terrorismo e das armas de destruição em massa."
Lula discursou na sessão em que foi apresentado o relatório da Comissão Mundial sobre a Dimensão Social da Globalização.
Ainda nesta segunda-feira, o presidente brasileiro recebe outros 59 chefes de Estado ou de governo em reunião pedida pelo Brasil para discutir a Ação Mundial contra a Fome e a Pobreza.
Desigualdades
Lula disse que a globalização "aumentou a distância entre ricos e pobres, acirrou assimetrias e aprofundou desigualdades".
"A suposta racionalidade desta globalização não satisfaz os interesses das maiorias. Os desafios e dilemas de nossas sociedade planetária exigem soluções integradas e vontade comum", disse o presidente.
"Sabemos que o mercado é importante estímulo à produção e à alocação de recursos, mas os mecanismos de mercado não são capazes, por si mesmo, de assegurar o fim das desigualdades e injustiças. Em alguns casos, (os mercados) podem mesmo agravá-las."
Lula defendeu o fortalecimento do sistema multilateral das Nações Unidas para responder aos desafios da atualidade.
Comércio
O presidente também destacou a importância de regras de comércio justas para promover o desenvolvimento e aproveitou para criticar os subsídios à agricultura e barreiras a produtos agrícolas nos países ricos.
"Globalização justa significa regimes multilaterais mais eficazes, transparentes e democráticos: regimes que remunerem a maior competitividade dos agricultores, grandes e pequenos, nos países em desenvolvimento ao eliminar as barreiras que restringem o acesso aos mercados dos países ricos."
Lula advertiu para o risco de os países em desenvolvimento acabarem prejudicados pelas reformas que estão sendo feitas na economia munidal.
"(As reformas) não devem servir de pretexto para a imposição de cláusulas comerciais protecionistas que terminam por prejudicar precisamente aqueles a que se pretende defender."