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17 de setembro, 2004 - 22h09 GMT (19h09 Brasília)

Paulo Cabral
de Washington

Kerry: Bush oculta convocação de soldados

O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, John Kerry, partiu para o ataque nesta sexta-feira e lançou duras acusações contra o presidente George W. Bush e contra o vice-presidente Dick Cheney.

Kerry disse que o governo planeja convocar, no fim de novembro, mais reservistas e membros da Guarda Nacional para a guerra no Iraque.

“(O presidente) esconde suas intenções das pessoas antes das eleições para poder fazer o movimento depois”, disse o candidato.

Um deputado democrata, com assento na comissão de Defesa Nacional do Congresso, confirmou que ouviu a informação de funcionários graduados do Pentágono.

A Casa Branca, no entanto, disse que a acusação é “sem base e falsa” e que os movimentos de tropas fazem parte da “rotação normal de soldados, já amplamente divulgada.”

Dick Cheney

John Kerry também atacou duramente Dick Cheney por sua proximidade com a empresa Halliburton afirmando que o “vice-presidente continuou recebendo dinheiro da empresa”, que ele dirigia antes de assumir o cargo.

“Como comandante supremo (das Forças Armadas), só vou ter uma coisa para dizer para empresas, como a Halliburton, que lucram com a guerra no Iraque: vocês estão despedidas”, disse Kerry num evento de campanha.

O Partido Democrata reforçou o ataque colocando no ar uma propaganda de televisão dizendo que Cheney recebeu US$ 2 milhões da Halliburton.

Os contratos da empresa com o governo americano para fornecimento de equipamentos e serviços no Iraque já provocaram muitas controvérsias e acusações de tráfico de influência.

Cheney também atacou John Kerry em um discurso de campanha.

“Quando olho os 20 anos de história dele (Kerry) no Senado, não vejo a capacidade de tomar decisões, tão importante para um líder. É perigoso ter um homem assim como comandante supremo”, disse Cheney.

Pesquisas desencontradas

Pesquisas eleitorais divulgadas nos últimas dias discordam quanto à ordem dos candidatos na corrida eleitoral.

Kerry e Bush estão em empate técnico nas pesquisas do Instituto Pew (47% para Bush e 46% para Kerry) e do Instituto Harrys (48% para Kerry e 47% para Bush).

A pesquisa do Instituto Gallup, no entanto mostra uma clara vantagem de 13 pontos porcentuais para o presidente Bush, que teria 55% das intenções de voto.

Analistas ainda estão debatendo se o presidente Bush está ou não está perdendo a vantagem que abriu nos dias depois da Convenção Republicana, em Nova York, no início do mês.