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15 de setembro, 2004 - 19h52 GMT (16h52 Brasília)

Paulo Cabral
de Washington

Mercados vivem momento mais forte em 3 anos, diz FMI

O relatório sobre a estabilidade financeira global, divulgado nesta quarta-feira pelo Fundo Monetário Internacional, diz que os mercados mundiais se fortaleceram desde que "estourou a bolha" dos fundos de investimentos nos Estados Unidos, em 2001.

"O mercado parece resistente ao impacto de crises, em um grau que não se viu nos últimos três anos", afirma o relatório. "Bancos e intermediários financeiros fortaleceram seus balanços até o ponto em que podem, se necessário, absorver consideráveis choques."

"Se eu pudesse escolher apenas uma razão para esta estabilidade, diria que é o crescimento econômico mundial", disse o diretor do departamento de capitais do FMI, Gerd Häusler.

O FMI avalia que os mercados mundiais já absorveram, "sem grandes reflexos nos lucros", os impactos dos aumentos das taxas de juros nos países industrializados.

Häusler disse que o Brasil está preparado para a nova fase da economia mundial.

Riscos

O fundo adverte, no entanto, que há alguns sérios riscos pela frente, como o preço do petróleo continuar subindo, causando a redução do crescimento e o aumento da inflação.

A possibilidade de os Estados Unidos precisarem atrair capitais para sua própria economia – a fim de equilibrar as contas do país – é outra incerteza.

O FMI adverte que, com o aumento na regulação dos bancos, há uma tendência de o risco estar sendo transferido aos fundos de pensão, que são sujeitos a regras mais brandas.

"Com o fortalecimento na regulamentação dos fundos de pensão, a tendência é que esse risco se transfira mais uma vez e acabe ficando com as famílias. Essa é uma tendência que já está sendo observada", afirma o relatório.

"Há também os riscos geopolíticos, como grandes atentados terroristas. Estes o mercado odeia, porque não há como precificá-los", disse o diretor Gerd Häusler.

'Medo e cobiça'

O economista diz que a melhor administração de riscos pelas instituições financeiras também é um dos grandes motivos para o bom momento atual.

"Acho que o mercado está em um momento de bom equilíbrio entre o medo e a cobiça. Todos querem lucrar mais, mas os riscos são bem calculados", disse Häusler.

O FMI teme, no entanto, que um período mais prolongado de estabilidade acabe levando o mercado a voltar a negligenciar riscos.

"O risco é que o mercado adote uma postura muito complacente, depois de ter visto a suavidade com que aconteceu a transição para o período de altas nos juros", diz o relatório.