10 de setembro, 2004 - 21h35 GMT (18h35 Brasília)
Andrew North
de Cabul
O Exército dos Estados Unidos pediu desculpas por ter detido e interrogado um repórter do Serviço Mundial da BBC na base aérea de Bagram, perto de Cabul.
Kamal Sadat, um afegão que também trabalhava para a agência de notícias Reuters, foi preso em sua casa no leste do Afeganistão por soldados americanos na quarta-feira.
O Exército dos Estados Unidos disse que havia recebido informações de que ele representava uma ameaça, mas oficiais o libertaram nesta sexta-feira.
Os Estados Unidos detêm, em Bagram, centenas de "suspeitos de terrorismo" sem acusações formais.
Sadat, que trabalha para os serviços das línguas pachto e dari da BBC, é um repórter muito conhecido no Afeganistão.
Baseado na província de Khost, perto da fronteira com o Paquistão, Sadat trabalha para a empresa há quase dois anos.
Engano
Na quarta-feira à noite, ele disse, soldados americanos invadiram sua casa, derrubando a porta.
Armas foram apontadas contra membros de sua família.
Quando os americanos o chamaram, ele se identificou como jornalista da BBC e mostrou sua carteira de identidade e uma outra da Reuters.
Mas após fazer uma busca na residência e remover equipamentos e vários blocos de anotação, os soldados levaram Sadat para uma base dos Estados Unidos.
Lá, o jornalista contou, ele foi encapuzado e colocado dentro de um avião, mas não foi avisado onde estaria sendo levado e o porquê.
Queixa
Na quinta-feira, o Exército americano confirmou à BBC em Cabul que Sadat estava detido em Bagram.
Falando após sua libertação, o repórter disse que não sabe onde estava.
Ele foi mantido em uma cela pequena e sem janelas, encapuzado a maior parte do tempo e interrogado por um oficial americano sobre seu trabalho.
Na quinta-feira à noite, o Exército dos Estados Unidos disse à BBC que a prisão de Sadat foi um engano e em um comunicado pediu desculpas ao repórter e à sua família.
A BBC disse que está muito preocupada com o incidente e fará uma queixa formal às autoridades do Exército dos Estados Unidos no Afeganistão e em Washington.