09 de setembro, 2004 - 11h33 GMT (08h33 Brasília)
Volto do feriado e encontro em cima da minha mesa um tubo, destes de colocar posters mas bem menor. É da Cruz Vermelha americana e está cheio de medicamentos para o caso de um ataque terrorista.
O aniversário é neste sábado, mas estamos nos aproximando dele com muita discrição. A revista The New Yorker, que publicou alguns dos melhores ensaios e ilustrações sobre a data, não tem nem uma referência sobre o terceiro aniversário dos ataques às torres.
Estão previstos alguns concertos, o lançamento de um ou outro livro, poucas cerimônias e muita segurança.
Há milhares de suspeitos presos nos Estados Unidos e em Guantánamo, mas até hoje a Justiça americana não conseguiu condenar nem uma pessoa diretamente ligada aos ataques terroristas.
Nova York vai bem. Pela primeira vez desde 2001, a economia da cidade teve números melhores do que a economia do país, mas aqueles bons empregos em Wall Street que pagam babas de dólares não voltaram.
De setembro de 2001 a janeiro de 2004 a cidade perdeu 138 mil empregos.
Os turistas estão de volta. Quase 40 milhões neste ano, a grande maioria americanos que não gastam tanto quanto os turistas de fora.
Por problemas com a imigração, medo ou antipatia pela política do país, neste ano faltaram 2 milhões de estrangeiros. Por favor, apareçam.
A saúde é outro problema mal explicado. Mais de 200 mil pessoas respiraram a poeira das torres quando elas caíram, mas nunca houve um estudo envolvendo tanta gente.
Milhares trabalharam na remoção do entulho durante meses. Quase todos têm uma tosse aguda e a maioria tem problemas respiratórios. Por causa deles, 380 bombeiros deixaram a profissão.
Esquecido do 11 de setembro, convidei minha amiga Sonia Nolasco para jantar.
Ela é viúva de Paulo Francis, que morreu em 1997 e teria feito 74 anos no sábado passado. Nossa primeira gravação no Manhattan, em fevereiro de 1993, foi sobre o primeiro ataque às torres.
Seria muita carne, vinho, conversa fiada e simbolismo para um dia com tanto jeito de sexta-feira santa, como disse a Sonia. Vamos adiar a farra para o próximo sábado. Neste vamos rezar.