07 de setembro, 2004 - 15h16 GMT (12h16 Brasília)
Adriana Stock
O Banco Central ainda tem que "desinflacionar" a economia, segundo disse o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Alexandre Schwartsman, nesta terça-feira, durante uma conferência para investidores em Londres.
De acordo com os dados apresentados por Schwartsman, a expectativa de inflação para 2004, que no início do ano girava em torno de 6%, está agora em 7,3%.
"O BC precisa trabalhar para manter as expectativas de inflação dentro de sua meta", comentou Schwartsman.
Pelo sistema de metas de inflação adotado pelo BC, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deveria fechar o ano em 5,5%, com uma faixa de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.
Para ficar dentro desse limite, o BC aumenta a taxa básica de juros do país, a Selic, ou, se tiver mais folga, faz cortes para incentivar a economia.
Ele não indicou, no entanto, qual seria a possível decisão da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a semana que vem.
Retomada
Schwartsman afirmou que a economia brasileira passou por uma recessão, mas, agora, está "mostrando a habilidade para crescer".
No primeiro semestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
"Não é um crescimento momentâneo, já que, além da demanda externa, temos registrado uma forte demanda interna."
De acordo com o diretor do BC, a retomada estaria sendo impulsionada por diversos setores, mas, principalmente, por supermercados, alimentos e bebidas; roupas e sapatos; móveis e eletrônicos.
Schwartsman, junto com o secretário Joaquim Levy, do Tesouro Nacional, e uma equipe de técnicos, está fazendo um road show por alguns países da Europa para fazer apresentações sobre os principais indicadores econômicos do Brasil.
A idéia é assegurar os investidores de que o país é um bom destino para os investimentos estrangeiros e esclarecer suas dúvidas – embora, na apresentação desta terça-feira, ninguém tenha feito uma pergunta.
Ainda nesta terça-feira, parte da missão brasileira deve viajar para a Escócia para fazer outras apresentações.
Questionado se o road show seria a indicação de uma possível emissão de novos títulos do governo, Levy disse que esse não era o caso e que o Tesouro Nacional pretende apenas cumprir sua meta de emitir US$ 1 bilhão de títulos até o final deste ano.