03 de setembro, 2004 - 00h53 GMT (21h53 Brasília)
Rodrigo Durão Coelho
O crescimento da produção de soja brasileira pode levar ao desmatamento de um área de 220 mil km² num prazo de cerca de 15 anos, segundo o grupo ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF).
A área é do tamanho da Grã-Bretanha e equivalente a cerca de 10% do cerrado brasileiro.
As afirmações constam de um relatório divulgado nesta quinta-feira em Genebra. Nele, a WWF atribui a expansão da área de plantação de soja no Brasil ao crescimento da demanda por soja na China e na União Européia.
Em decorrência do desmatamento, segundo o WWF, várias espécies de animais ameaçados perderiam o seu habitat. Entre elas, estão o tamanduá e a onça.
“É preciso discutir mais o assunto, convencer os grandes consumidores a não comprarem nunca soja proveniente de áreas onde ocorreu desmatamento e estimular o cultivo em áreas que já foram utilizadas para outros cultivos”, diz Ilan Kruglianskas, coordenador do programa agrícola e meio-ambiente da WWF-Brasil - organização, que embora não tenha participado diretamente do estudo da WWF internacional, monitora a preservação ambiental no país.
“Quando se desenvolve uma região, isso deve ser feito de forma sustentável para que as conseqüências para o meio ambiente sejam controladas”, diz Kruglianskas.
Trabalho
O vice-presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Macel Caixeta, discorda das conclusões do estudo.
“O Brasil hoje tem condições de dobrar a suas produção de soja apenas utilizando as pastagens que já estão sendo usadas, sem a necessidade de se derrubar nenhuma árvore”, disse ele em entrevista à BBC Brasil.
Para Caixeta, a tecnologia empregada atualmente para o cultivo da soja respeita o meio ambiente.
“Esse negócio de destruir o meio-ambiente é coisa do passado. O agricultor sabe que precisa respeitar a terra para assegurar o sustento de sua família.”
Kruglianskas admite que os grandes produtores tendem a respeitar mais a lei, por estarem bastantes expostos à imprensa. Os pequenos agricultores também seriam conscientes da importância da conservação.
A situação, segundo ele, fica mais complicada com os produtores médios.
“Eles são mais difíceis de controlar.”
Caixeta diz que a CNA orienta o agricultor a não destruir o cerrado acima do que é permitido pela lei.
“Além disso, a fiscalização por satélite do governo assegura que qualquer expansão irregular seja detectada imediatamente”, diz Caixeta.