03 de setembro, 2004 - 01h30 GMT (22h30 Brasília)
Marcia Carmo
de Buenos Aires
A Justiça Federal Argentina absolveu nesta quinta-feira todos os 22 acusados de envolvimento no atentado de 94 contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia).
O atentado em Buenos Aires, considerado o pior da história do país, deixou um saldo de 85 mortos.
Os juízes consideraram que não havia provas suficientes para incriminar os acusados - entre eles Carlos Telleldín, apontado como responsável por preparar o carro-bomba que teria explodido no local, e dezessete policiais da Polícia de Buenos Aires.
A investigação realizada nos últimos três anos foi considerada “nula” pela Justiça Federal. Foi questionada até a hipótese de que houve um carro-bomba no incidente.
Novas investigações
A explosão na sede da Amia ocorreu dois anos depois de um atentado contra a embaixada de Israel, também localizada na capital argentina, que deixou vinte e dois mortos.
Os juízes que trabalharam no caso da explosão na Amia no passado, Juan José Galeano e Gabriel Cavallo, passaram agora a ser investigados.
O objetivo dessa nova investigação será esclarecer de que forma o inquérito foi conduzido e os fatos que ocorreram após o atentado, como a destruição de fitas de vídeo que ajudariam a esclarecer a verdade.
Promotores, advogados de acusação e autoridades do governo do ex-presidente Carlos Menem - como o ex-ministro do Interior, Carlos Corach - também passaram a ser investigados.
Dia histórico
A quinta-feira considerada um dia histórico para uns, mas dramático para familiares das vítimas daquela explosão. Foram 35 meses de processo, e a leitura do veredicto provocou aplausos na sala de audiências.
Mas os familiares criticaram a decisão e marcaram protesto para esta sexta-feira, como contou Laura Grinberg, falando em nome dos parentes dos mortos.
“A justiça está arquivando um crime terrível e sequer se interessou em pedir documentos secretos que podem ser fundamentais para revelar a verdade daquele atentado que matou nossos familiares. Voltamos à estaca zero”, disse Laura Grinberg, parente de uma das vítimas.
O advogado da Amia, Juan José Ávila, disse que o resultado lhe surpreendeu. “Eu esperava por justiça, mas a anulação desse caso me deixa de luto”, afirmou.
Por sua vez, advogados de Telleldín disseram que a justiça argentina deve um pedido de desculpas ao ex-acusado. “Ele passou dez anos preso por uma mentira, que foi esse processo”, declarou um deles diante das câmeras da TV.
Somente em novembro, serão divulgados os argumentos que levaram à absolvição de todos os envolvidos.